O triângulo do Seixal

José Manuel Ribeiro

Tópicos

Onde desaparecem as complicações da vida do Benfica e cai uma névoa sobre as ambições dos seus jogadores

A menos que as costas do guarda-redes Júlio César sejam um problema (e há suspeitas disso), os dramas do Benfica estão a ser um nadinha exagerados pela opinião publicada. Foram tomadas providências para quase tudo, num tempo em que isso devia ser muito difícil. Já havia um sobressalente à espera da venda de Nélson Semedo; a contratação de Seferovic é, evidentemente, o lançamento de um dos outros três pontas de lança no mercado; e Kalaica, titular ou não, deixa o quarteto de centrais como estavam há dois anos, antes de a lesão de Jardel ter aberto as portas ao bê Lindelof. Com uma massa salarial declarada à CMVM mais baixa do que as de FC Porto e até Sporting, é assombroso como não há sinais de inquietações internas, nem efeitos dos cercos da Premier League sobre os jogadores: nada perturba os planos do Benfica nestes dias em que tudo perturba os planos de toda a gente. Vejamos o caso do FC Porto: o salário de Maxi abala as contas e Ricardo Pereira é uma ótima solução, pelo menos enquanto a promessa Diogo Dalot não amadurece mais um pouco. Entretanto, desembarcam na costa os piratas ingleses com uma conta-ordenado afiada e a bela estratégia de Sérgio Conceição passa a caminhar sobre gelo fino. Tal como se percebem, em Alvalade, as limitações trazidas pela ambição natural de Adrien, William Carvalho ou Rui Patrício. Limitações essas a que o Benfica parece misteriosamente imune, sem pagar mais por isso, pelo contrário. As decisões dos campeonatos também têm passado por esse triângulo das Bermudas que há no Seixal.