O Seleções FC e os milicianos

José Manuel Ribeiro

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O caminho internacional é mais dos subtítulos do que dos títulos. O nacional é mais das milícias do que dos juristas

1 O futebol dos clubes está fora do controlo para os portugueses em tudo. Não têm, nem terão, mercado para competir com ingleses, espanhóis e alemães; não têm receitas alternativas a esse mercado; e não têm voz na UEFA ou na FIFA, onde a péssima e suicidária redistribuição da riqueza quase não é tema. Restam as seleções, porque (ainda) não é possível aos ingleses, espanhóis e alemães pilharem os talentos dos outros países "à la carte", como fazem nos clubes. Talvez no futuro a animação que mais esta final do Europeu de sub-19 provoca por cá seja tudo a que Portugal poderá aspirar fora das suas fronteiras. Talvez estejamos prestes a tornar-nos um novo tipo de adeptos dos subtítulos, em vez dos títulos. Talvez o PSD, quando quis dar um tiro na Liga de futebol profissional esta semana, estivesse só a ser misericordioso.

2 Há duas formas de olhar para a cerimónia de encerramento do Apito Dourado (pág. 2 e 3), presidida pelo Conselho de Justiça neste último e definitivo acórdão sobre um caso reduzido a pó. Ou se aceita que a justiça não é um conjunto de normas, procedimentos e restrições aos nossos instintos, mas antes uma mera opinião pessoal que uma milícia deve impor aos demais, custe o que custar; ou se assume que houve um batalhão de juristas incompetentes na Liga e na FPF nestes últimos 13 anos. Alguns deles, talvez os piores (ou os melhores, dependendo da escolha nas alíneas anteriores), continuam por aí, falando alto em locais como o Tribunal Arbitral ou sussurrando em sítios como o Conselho de Disciplina.