O Mundial"2018 vai ser português

José Manuel Ribeiro

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Dizem os sábios que a última época manchou o campeão da Europa, mas é mais provável que o tenha explicado

É uma das analogias mais enigmáticas que ouvi, e por enigmáticas quero dizer hilariantes: fica muito mal ao campeão europeu (juram) este clima de desconfiança, rasteirice e guerra aberta entre Benfica, FC Porto e Sporting. Alguém o disse a primeira vez e depois gerou-se uma corrente de moralistas plagiadores a quem a coisa pareceu fazer uma montanha de sentido, porque todos sabemos que o futebol são catorze contra onze e no fim ganham os honestos e bem-educados. Assaltam-me a memória (e eu entrego logo a carteira, tratando-se de quem se trata) os títulos mundiais todos do Brasil, desde sempre um modelo de ordem, correção e avanço civilizacional, e talvez o campeonato do mundo de 1978, ganho pela Argentina, desse outro exemplo de integridade que foi a ditadura do general Videla. Só os supera no ranking da honradez e bom comportamento o Mundial de 2006, que abençoou a Itália em pleno "calciocaos" (rebentara um mês antes) e com o selecionador Marcelo Lippi diretamente envolvido no escândalo. Fica-se com a falsa ideia de que a moral e o bom costume de ganhar não têm nada a ver um com o outro, ou se têm é ao contrário. A história sugere-nos que convém acumular uma quantidade razoável de sacanas, vigarices e bandalheiras quando se quer mesmo uma taça. Vendo bem as circunstâncias, esta última época serviu, não só, de explicação "a posteriori" para o Euro"2016 português, que ontem completou um ano, como de magnífico prenúncio para o Mundial de 2018.