O Benfica ao raio X

José Manuel Ribeiro

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A I Liga explicada a menores de seis anos

Para lá da estridência dos apitos, que não é um problema imaginário como de repente parece, seria saudável que FC Porto e Sporting atentassem nas outras diferenças que os separam do Benfica. A mais evidente esteve a marinar durante uns meses, enquanto Jonas combatia a bactéria no tornozelo direito, mas voltou ontem ao campeonato, como uma bofetada nos concorrentes: no Benfica jogam dois pontas de lança (mais Jiménez) que marcam 60 golos por época e que têm essa média bem atestada por uma longa folha de serviços. Não é de ontem: é de muito antes da chegada deles a Portugal. No Dragão e em Alvalade, existe metade disso, quanto muito. Os jogos decidem-se com golos e a via direta para os golos são os goleadores. Mas só contam os goleadores? Claro que não. Até esses descomplicadores do golo podem aborrecer-se, avariar-se ou apanhar bactérias. Para essas ocasiões, os treinadores preparam, por exemplo, cantos e livres, as bolas paradas que até já empataram um clássico nesta época (FC Porto-Benfica) e que, há dois anos, rebocaram o último título de Jorge Jesus. Qual é a melhor equipa da I Liga nas bolas paradas? Pois, o Benfica de Rui Vitória, um especialista bem conhecido. Excluindo penáltis, já chegaram nove golos por essa porta, contra seis do Sporting e apenas cinco do FC Porto. Cinco golos de bola parada marcaram Paços de Ferreira e Marítimo*; Boavista (7) e V. Setúbal (6) até marcaram mais, em princípio sem beneficiarem do mesmo número de cantos e livres que os ataques das equipas grandes costumam produzir. Portanto, cinco golos é um fraco resultado naquela que até tem de ser a escapatória evidente para quem tem má relação com o golo. Também podíamos falar dos médios e comparar as conversões do maestro Óliver (1) com os de Pizzi (5), mas o ponto é este: não é preciso chamar um prémio Nobel da física para perceber a I Liga.