Nuno Espírito Santo nadou contra a corrente desde que foi anunciado aos portistas
Nuno Espírito Santo trabalhou bem no FC Porto e, quando trabalhou mal, imitou à risca a primeira época de Julen Lopetegui, que também perdeu um campeonato por se ter engasgado nos jogos-chave. Defeito dos treinadores ou da equipa? Apesar do que fez no Valência e no Rio Ave, Nuno era mais um tiro no escuro, já muito para lá do limite de tolerância que o FC Porto tinha para os dar. Trazia com ele os defeitos (complicados de resolver entre os adeptos portistas) de não entusiasmar, de não provocar expectativa e de não ser especialmente hábil a disfarçar essa distância nas conferências de Imprensa. São dois dados comuns às últimas quatro escolhas portistas do defeso. Vítor Pereira, Paulo Fonseca, Lopetegui e, agora, Nuno: nenhum trazia uma bagagem arrasadora que seduzisse os adeptos à partida, nem sabia como fazê-lo depois com a palavra (Nuno até foi o primeiro a perceber que precisava disso). À pressão dos resultados, com um concorrente melhor fornecido de jogadores e experiência, juntava-se a pressão da desconfiança palpável, muito ingrata para quem já partia em grande desvantagem relativamente ao Benfica. Vítor Pereira invocou desconforto para recusar a renovação, Paulo Fonseca demitiu-se três ou quatro vezes, até que Pinto da Costa aceitasse deixá-lo sair, e Nuno Espírito Santo assumiu à SAD que talvez não houvesse condições para continuar. Entretanto, a espiral instalou-se; todas as épocas o Benfica arranca mais um ou dois passos à frente e o FC Porto procura recuperar esse terreno partindo outra vez lá de trás, do zero, sem que os adeptos queiram entender o que isso significa. Ajudaria alguma coisa que eles esperassem um treinador em vez de um messias, mas ajudaria mais ainda que o FC Porto percebesse como são os portistas.
