As vandalizações que beatificam

José Manuel Ribeiro

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É muito feio fingir que os mais prejudicados pelos ataques aos árbitros são os mais beneficiados e vice-versa

A intimidação aos árbitros é intolerável, depois é intolerável, a seguir é intolerável e, por último, é contraproducente e destrutiva. Mesmo que pudéssemos retirar a higiene moral da conversa e falássemos apenas de estratégias maquiavélicas, continuaria a ser péssima de todos os ângulos. Cria mártires inconvenientes e aferroa o corporativismo dos árbitros, que, por sua vez, mata qualquer ambição de autocrítica e confronto interno, essenciais neste mau momento. Na atual guerra de fações, estes acontecimentos são tão maus para a causa do FC Porto e bons para a do Benfica que seria inconcebível que, no Dragão, não se fizesse tudo para os evitar e repudiar (por muita preguiça que por aí haja em conceder o óbvio). No entanto, eles continuam a suceder, sem que a única entidade capaz de ajudar a tirar os responsáveis do anonimato dê sinais de ter avançado um milímetro nos vários processos de investigação que ficaram para trás, desde os ataques aos talhos de Manuel Mota. Corro o risco de errar, porque o comando central da PSP recusou dar-nos informações, mas o último caso de que há registo foi o dos nove adeptos do Benfica condenados, em 2012, por ameaçarem um grupo de árbitros - incluindo Vasco Santos - através de mensagens de telemóvel. A brincadeira ficou mesmo pelo preço de uma brincadeira - multas entre os 400 e os mil euros -, ainda assim bem melhor do que se tem conseguido nos casos de ameaças e vandalismo posteriores.