Um bom começo

Jorge Maia

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Os mais de 30 mil bilhetes que o FC Porto vendeu até ontem para o jogo com o Estoril mostram que Sérgio Conceição já ganhou uma coisa: os adeptos

O FC Porto ainda não ganhou nada, nem podia até porque em boa verdade a época nem sequer começou, mas Sérgio Conceição já ganhou algumas coisas. Desde logo, os adeptos. Os mais de 30 mil bilhetes vendidos até ontem para o jogo frente ao Estoril, e a promessa de lotação esgotada a mais de uma semana de distância da estreia no campeonato, dizem bastante sobre o entusiasmo que o futebol praticado pelo FC Porto na pré-temporada tem gerado junto dos portistas. Ora, pode argumentar-se que contar com o apoio dos próprios adeptos é um dado adquirido, mas todos sabemos que não é bem assim. Há uma cultura de exigência, maturada ao longo de décadas de hegemonia do futebol português, que torna os adeptos do FC Porto particularmente difíceis de convencer. A mesma cultura de exigência que, ao longo dos últimos anos, ajudou a triturar treinadores e jogadores, transformando demasiadas vezes o Dragão em território hostil para a equipa da casa. Ganhar os adeptos, satisfazer-lhes essa cultura de exigência sem recorrer às habituais injeções de entusiasmo que a contratação de reforços representa, ultrapassar as dúvidas geradas pela falta de investimento no plantel enquanto recupera junto da bancada a credibilidade de jogadores como Aboubakar, Marega, Ricardo ou Hernâni, construir com eles uma equipa de tração à frente, pressionante e concretizadora e consegui-lo em apenas um mês de trabalho é, no mínimo, um bom começo.