Nem tudo muda

Jorge Maia

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As prioridades que presidiram à aprovação de um novo formato para os Mundiais de Futebol provam que algumas coisas nunca mudam

1 Provavelmente, a aprovação pela FIFA do novo formato do Mundial de futebol, que alarga o número de participantes de 32 para 48 a partir de 2026, devia deixar-nos preocupados. Desde logo por ser óbvio que, a dez anos da sua implementação, se trata de uma decisão apressada pela necessidade de satisfazer agendas políticas - o alargamento, embora originalmente previsto para 40 clubes, foi uma das promessas de Gianni Infantino e garante-lhe uma base de apoio alargada - e financeiras - de acordo com um estudo da FIFA, o aumento de 16 países na fase final vai corresponder a um acréscimo de cerca de 600 milhões de euros de receita - esquecendo os interesses desportivos - é preciso baixar bastante a fasquia da qualidade para permitir a entrada a mais 16 países. A questão é que satisfazer agendas políticas e financeiras, atropelando os interesses desportivos, soa exatamente ao tipo de coisa que Sepp Blatter faria. Era suposto que alguma coisa tivesse mudado, não era?

2 Algures numa sala na sede da Liga, Pedro Proença deve ter respirado um suspiro de alívio com os dois golos que Gonçalo Guedes marcou ao Vitória de Guimarães ontem à noite. O presidente do organismo que tutela o futebol profissional nunca o admitirá, mas todos sabemos que a estreia o novo formato de final-four da Taça da Liga sem nenhum dos três grandes seria um embaraço para os patrocinadores e operadores televisivos, comprometendo à partida o sucesso daquela que é uma aposta pessoal dele, mas também uma última tentativa para reanimar a prova.