Maus hábitos e boas práticas

Jorge Maia

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Fernando Gomes sentiu a necessidade de recordar que à mulher de César não basta ser honesta

1 Não deixa de ser relevante que Fernando Gomes tenha sentido a necessidade de recordar, por carta dirigida aos presidentes dos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Futebol, que os elementos que os integram não devem solicitar nenhum tipo de oferta a qualquer agente desportivo. Nem deixa de ser significativo que a missiva mencione de forma específica os pedidos de bilhetes para jogos de futebol. Afinal, a oferta de ingressos, precisamente a elementos de órgãos sociais da FPF, é um dos temas levantados em alguns dos alegados emails recentemente divulgados pelo FC Porto. Sendo obviamente de louvar a preocupação do presidente da Federação com a moralização do futebol português, o facto de sentir a necessidade de o fazer precisamente agora e de forma pública há de significar alguma coisa. Quer dizer, se os maus hábitos não existissem, não havia necessidade de recordar as boas práticas, pois não?

2 Dois clássicos nas últimas cinco jornadas do campeonato significam que, em princípio e salvo algum bruxedo, a luta pelo título vai durar até ao fim. De resto, a acumulação de condicionantes ao sorteio nas primeiras jornadas acaba por ter esse efeito na arrumação possível dos jogos, protegendo os três grandes. Claro que para proteger uns é inevitável desproteger outros e se Benfica, FC Porto e Sporting têm arranques relativamente acessíveis, o mesmo não se pode dizer, por exemplo, do Braga, que nas primeiras quatro jornadas vai à Luz e recebe os dragões. A prova de que nesta, como noutras lutas entre elefantes, quem perde é o capim.