Balanço de pré-temporadas

Jorge Maia

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Equipas diferentes precisam de preparações distintas

As pré-temporadas são mais ou menos como os copos de uísque: para uns estão meio cheias, para outros meio vazias. Não é difícil perceber a distância que separa o discurso de Sérgio Conceição e Rui Vitória a propósito do tema: a do FC Porto correu bem, a do Benfica nem por isso. Que um a valorize e o outro trate de relativizá-la é apenas a confirmação da proverbial tendência que todos sentimos para puxar a brasa para a respetiva sardinha.

De resto, se as pré-temporadas servem para preparar as equipas para a competição a sério, não há como escapar à evidência de que são todas iguais, mas há algumas mais iguais do que as outras. A questão é que Rui Vitória e Sérgio Conceição tinham cadernos de encargos diferentes para cumprir durante a fase de preparação.

O treinador do Benfica vai para a terceira temporada na Luz, tem uma equipa construída por ele à disposição e beneficia de uma margem de tolerância junto dos adeptos encarnados praticamente inesgotável. Desafios, apenas os que resultam da necessidade de encontrar alternativas para as saídas de Ederson, Lindelof e Nélson Semedo, mas mesmo esses relativizados pela manutenção da estrutura-base que serviu para as últimas duas épocas.

Sérgio Conceição tinha um mês, não apenas para desenhar um FC Porto à imagem dele, mas também para consegui-lo sem recurso a reforços para além daqueles que pudesse encontrar dentro do clube. Para ser bem-sucedido, precisava não só de restaurar a confiança de jogadores que já não se imaginavam vestidos de azul e branco, mas também de recuperar o entusiasmo dos adeptos em torno da equipa.

Dois caminhos diferentes para chegar ao único lugar que interessa: o primeiro. Hoje se começará a perceber definitivamente qual deles é o mais curto.