Opinião

Jorge Coroado

Época "horribilis"

André Moreira (3) [Académica-Tondela] sentiu dificuldades motivadas pela ansiedade classificativa dos contendores e superou-as com tranquilidade e sobriedade. Cosme Machado (2,5) [P. Ferreira-V. Setúbal] cometeu lapsos próprios das suas características intrínsecas, qual ADN, que não lhe permitem registo superior. Fábio Veríssimo (2) [Boavista-FC Porto] evidenciou, bem, inexperiência e extemporaneidade na promoção a internacional: dificuldade na análise de determinados lances, critério difuso na ação disciplinar. João Capela (3,5) [Estoril-Belenenses], observado "in loco", desenhou arbitragem serena, apesar de uma ou outra decisão menos conseguida. João Pinheiro (4) [V. Guimarães-Arouca] exibiu-se de forma muito agradável, equilibrado e sensato. A recuperação dos visitantes nada teve com decisões menos certas.

Jorge Coroado

Xistra com missão difícil

A época está prestes a terminar. Domingo, no único recinto (é história e faz história da prova) do país com condições apropriadas ao "folclore" que antecede o jogo, acontece a final da prova-rainha. Depois de ter arbitrado 38 encontros ao longo da temporada, a honra de dirigir aquela derradeira partida coube a Carlos Xistra, representante da AF Castelo Branco. Não é crível que a designação indicie posicionamento de excelência no escalonamento classificativo do sector, ela dever-se-á, naturalmente, às características do filiado, eventualmente à carreira até ao momento construída, entrega à causa, quiçá assunção cordata dos ditames de quem manda. Depois do ocorrido na final da Liga Europa, em que o árbitro germânico Felix Brych mostrou absoluta aversão ao sancionamento de infrações nas áreas de rigor, as exigências para o Jamor recrudesceram. Não se afigura fácil a tarefa do filiado albicastrense, tão pouco poderá contar com a complacência do finalista mais badalado. Qualquer eventual lapso que penalize intenções dos encarnados da Luz será extrapolado além do razoável. Com o Dia da Criança a chegar já no início de junho, porque é de pequenino que se torce o pepino, proporcionar aos miúdos ferramentas adequadas a harmonioso desenvolvimento social, físico, intelectual e desportivo, feito com base na compreensão, tolerância e afirmação, para que a realização dos seus sonhos lhes permita definir um objetivo, é tão importante ensinar-lhes a importância de saberem interpretar a responsabilidade decorrente do estudo como dar-lhes a saber quão valioso é perceber o respeito que merecem adversários e oficiais de jogo. Quando enfaticamente se fala na profissionalização da arbitragem, na perspetiva de cativação de mais elementos e porque, para os jovens dos 14 aos 17 anos, esta é, muitas vezes, a altura em que a vida ganha uma nova relevância, seria importante, porventura gratificante, aproveitar o embalo da final da Taça de Portugal e presença da Seleção Nacional em terras de Vera Cruz para promover ações de fomento da função dispersas pelo país em sinergia com associações, clubes e demais instituições que quisessem colaborar destinadas aos adolescentes.