O fim do empate

Joel Neto

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Não façam esse ar chocado: era evidente, desde o início, que o campeonato do mundo passaria a 48 países, não obstante todos os estudos que o desaconselhassem. Infantino foi eleito com esse programa, o que também demonstra como as federações e as confederações se estão nas tintas para quem sustenta o futebol.

Por mim, concentro-me nessa pequena (sic) alteração de regulamentos que impõe, a partir do Mundial"2026, a eliminação de todos os empates com recurso a pontapés da marca de grande penalidade. Justificação apresentada: impedir as igualdades combinadas, por conveniência mútua (o que, já agora, significa que existem). Verdadeira razão: o espetáculo televisivo.

Não, não é uma pequena alteração de regulamentos. É o princípio do fim do empate e é, por isso, (mais) uma agressão à matriz do futebol. Tal como aconteceu com a passagem dos dois pontos por vitória a três - uma boa medida, que veio ajustar a eficácia dos campeonatos sem ferir a integridade do jogo propriamente dito -, isto de dirimir os desempates vai acabar por generalizar-se.

Só não se generaliza mais depressa porque o que preocupa os senhores das confederações e das federações é tudo menos o futebol dos países que representam. Interessa-lhes (tantas vezes) andar em comités e em congressos, colecionando privilégios e (em alguns casos, como demonstrado) contas em paraísos fiscais.

Mas escrevam isto: o empate vai acabar, e ainda será no nosso tempo. Já agora, proponho mais medidas americanas. Golos contando a dobrar quando são marcados de fora da área, por exemplo. Pancadaria bem filmada sempre que houver um pé em riste. Raparigas seminuas passeando-se com cartazes com um "2" gigante quando começar a segunda parte.

Sou todo por raparigas seminuas.