Anatomia da união

Joel Neto

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Para integrar ou para excluir?

Não deixa de merecer estupefacção. Declaram Sporting e FC Porto que a reaproximação tem como fito uma preocupação comum com a necessidade de "mais transparência, mais justiça e mais verdade desportiva." Afinal, as primeiras acções são coisas como a exigência de legalização das claques do Benfica, quando sabemos que a legalização é uma formalidade que não resolve o problema essencial; e o apoio portista à quimera de Bruno de Carvalho em prol do reconhecimento do Campeonato de Portugal como campeonato nacional.

A convergência é interessante. Mas seria mais interessante se envolvesse um convite expresso ao Benfica para se juntar a ela e condições evidentes para que este pudesse aceitá-lo. E seria mais interessante ainda se, em vez de um acentuar cínico - mesmo sonso - das querelas em curso, procurasse os temas e os assuntos urgentes, abordando-os de modo não a excluir, mas a integrar.

Isso, sim, seria uma luta clara em favor da transparência, da justiça e da verdade. A percepção conta nesta fase. E o que a nova união parece é sobretudo uma aliança contra Benfica. Ainda por cima a armar à demanda moralista.

JÁ NINGUÉM PROCRIA

Nem com o golo do Éder

Extraordinário: não houve qualquer oscilação demográfica - vai confirmar o INE - em resultado da vitória de Portugal no Europeu. A ver agora com o triunfo de Salvador Sobral na Eurovisão.

Temo que já nada seja capaz de pôr os portugueses a fazer filhos. Se bem que ainda não experimentámos um truque velhinho, mas quem sabe ainda com méritos: a saúde financeira das famílias.