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João Sanches

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O consumidor "pede": não pode ser uma obscenidade de apito a definir o campeão

Hoje o rijo comandante - investido desse estatuto faz este domingo meio ano -, amanhã o obstinado perseguidor - há já mês e meio a apenas um ponto de distância do primeiro lugar -, Benfica e FC Porto gastam neste fim de semana as últimas moedas no carrossel de pressão em que ambos transformaram o campeonato, antes de ficarem cara a cara na próxima jornada na Luz para então batalharem pela definição do título. Esquecendo o que cada um de nós, apreciadores de futebol, come com os olhos e pesando apenas os números, a balança mostra-nos diferenças quase tão finas como um cabelo, embora seja a equipa portista a encimar os rankings de golos marcados (57-56) e sofridos (11-13). É só mais um espelho do equilíbrio e do suado combate pelas faixas de campeão, com primeiro e segundo classificados a recolherem ainda mais pontos nesta I Liga do que os principais competidores na edição anterior até se realizar a 26.ª jornada. Podemos esgaravatar mais, que arriscaremos o reforço da conclusão de equivalência. Por tudo isto, furando entre o ruído das mensagens cruzadas a partir das trincheiras de comunicação de cada um dos emblemas, o que é que nós, consumidores do fenómeno, podemos exigir? Que sejam os treinadores e os jogadores, em resultado das suas capacidades, habilidades ou decisões, a resolver uma discussão que não pode (não deve) ficar para a história por causa de um obsceno lapso de apito. Dos gabinetes aos relvados, a margem de erro é nula para todos os intervenientes.