A justiça é que merecia um soco

João Sanches

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O regulamento disciplinar é torto, não é de agora; e torto vai persistir enquanto o mesmo der jeito aos clubes...

Ontem, Rui Vitória foi Rui Vitória; foi aquele treinador que várias vezes o país futebolístico viu assanhar-se no tempo em que comandava a equipa do V. Guimarães, quando as circunstâncias lhe puxavam pela língua. Perante os jornalistas, o benfiquista defendeu Samaris do banho de críticas e reprovações que o visaram por ter agredido Diego Ivo, claro, e exaltou que o fazia com o mesmo denodo de um pai que se atravessa diante do mundo para proteger os filhos. Nada censurável, faz parte do jogo e da vida. Péssimo é que o soco de Samaris, ou especificamente a (não) consequência disciplinar do mesmo, ainda seja tema, passada quase uma semana sobre o incidente ocorrido no fim da partida em casa do Moreirense. Samaris destravou-se no calor da batalha, cometeu uma infração grave e já devia ter sido sancionado, o que, num contexto de inequívoca seriedade e equidade, deveria ser suficiente para reduzir a cinzas o falatório, mais recurso, menos recurso. Os regulamentos são tortos, não é de agora; e tortos vão continuar enquanto as entidades gestoras das competições nacionais e os clubes assim permitirem ou quiserem - ou enquanto os mesmos derem jeito na "gestão" disciplinar. Porque a justiça desportiva que temos aparenta frouxa vontade de julgar e decidir. Há quem prefira o "pingue-pongue", principalmente quando nos assuntos quentes estão envolvidos os poderosos. Até para os crentes, cada vez é mais complicado confiar e ter fé.