O paradoxo desta Liga espetacular

João Araújo

Tópicos

Também este ano temos assistido a um combate corpo a corpo pelo primeiro lugar. Mas lá fora continuamos a cair...

Meio ano depois, o Benfica pode perder a liderança da Liga para o FC Porto, o que sucederá se os dragões confirmarem a tendência dos últimos 14 anos e vencerem o V. Setúbal. O empate das águias em Paços de Ferreira, num jogo à inglesa - rasgadinho -, foi o golpe de teatro que faltava para acrescentar ainda mais sal a um campeonato que tem estado a ser apurado no lume brando do duelo à distância e alcançará o ponto de ebulição na próxima jornada, quando os azuis e brancos se deslocarem à Luz. Isto - não custa repetir - caso os portistas vençam os sadinos.

A esta luta ombro a ombro pelo topo da tabela pode somar-se uma outra, a que travam o Sporting e o seu goleador Bas Dost pela Bota de Ouro, que o holandês lidera, e chegaremos à conclusão de que a nossa liga está realmente espetacular. E está. Só que cada vez mais para consumo interno! E é esse o grande paradoxo de uma empolgante competição interna, como tem sido nas últimas épocas, mas que tem na perda de competitividade externa o reverso da medalha.

Houve duas equipas portuguesas nos "oitavos" da Champions? Houve. Mas isso não evitou a queda para a sétima posição no ranking da UEFA, que resultou na perda de uma equipa na principal competição europeia de clubes (com o segundo classificado a ter de disputar duas eliminatórias). A contradição entre emoção e competitividade não poderia ser mais evidente: se esta época o líder corre o risco de ser ultrapassado na reta final e antes do clássico que oporá os dois primeiros, nas quatro anteriores só por uma vez primeiro e segundo chegaram ao fim separados por mais de três pontos. O quarto classificado, esse, tem ficado entre 20 a 30 pontos de distância, exemplo da ausência de competitividade que se depara ao duo da frente.

A nossa liga está espetacular? Está, mas como diz Miguel Leal nesta edição, falta-lhe competitividade e isso "já se refletiu a nível internacional e vai continuar a refletir-se". De quinto melhor campeonato nas épocas 2011/12 e 2012/13, caímos esta época para décimo. E, no entanto, seria difícil imaginar uma prova mais empolgante.