Respeito!

Carlos Machado

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A UEFA instituiu o Respect! mas não o teve por Borússia Dortmund e Mónaco. Pelo negócio, obrigou-os a jogar

Borússia Dortmund e Mónaco deram ontem um festival de bola num jogo da Champions que não devia ter acontecido. Os clubes estavam obrigados a jogar, os jogadores da equipa da casa tiveram a prerrogativa de escolher se o faziam ou não, porque Thomas Tuchel teve por eles o respeito não exibido pela UEFA perante os emblemas em causa. A UEFA manda colar às mangas das camisolas dos futebolistas da Champions uma barrinha a dizer Respect!, mas à hora marcada para a disputa da partida, minutos depois do atentado contra o autocarro do Dortmund, que vai tirar Marc Bartra dos relvados por algum tempo, ignorou os intervenientes e decidiu. Impôs-lhes jogar no dia seguinte. Duas horas mais cedo do que os jogos do dia para não lhes perturbar as audiências. Os homens até podem ter sentimentos, mas o negócio é mais importante.

A UEFA diz não ter sido assim, alega que não recebeu informação a sugerir o contrário. E era preciso! Talvez tenham ouvido qualquer coisita sobre um atentado. Mas ninguém lhes explicou se era grave ou incómodo.

Alterar calendários e encontrar novas datas não era fácil, mas era possível tentar. A UEFA não o quis, foi Tuchel quem o afirmou e Jardim não desmentiu, mas a UEFA governa com mão de ferro e todos nós já lemos e vimos em filmes e séries televisivas que os governos não cedem a chantagens nem negoceiam com terroristas. Também nos meteram na cabeça que o medo combate-se com coragem e o sofrimento é passageiro, desistir é para sempre. São frases bonitas, mas havia homens dentro de um autocarro que foi atacado e, menos de 24 horas depois, foi-lhes imposto jogar. As tais frases finas não passam de filosofia de pára-choques de camião.

Voltando ao jogaço do Signal Iduna Park, que respeito fantástico tiveram aqueles homens pela profissão e por quem gosta de futebol, mesmo tendo alguns deles mais vontade de chorar do que de jogar.