Agora o vídeo caça-piscineiros

Carlos Machado

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Tudo pela verdade, mas cuidado com a natureza do próprio futebol

A Premier League inglesa abriu a caça aos piscineiros e restantes enganadores. Os ingleses querem os jogos vistos e revistos para acabarem com a batota. Um ex-árbitro, um ex-jogador e um ex-treinador passarão a apreciar jogadas que culminaram com penáltis e expulsões duvidosas. Se o júri votar pela trapaça, ou seja, se o veredicto apontar para artistice, o enganador será punido com dois jogos de suspensão.

Pugnar pela verdade - se possível sem recurso a moralidades da treta e discursos de engana meninos - é uma boa ideia, mas a suspensão num caso destes parece-me desajustada. A bem do espetáculo, era claramente melhor e mais eficaz chamar os artistas à pedra e ir-lhes à carteira. Peguemos num exemplo estrangeiro para não ferir clubites. Neymar é um dos melhores jogadores do mundo, aqui e ali tem a tentação de se atirar para o chão e consegue sacar uns penáltis e uns cartões aos adversários. É justo puni-lo com dois jogos de suspensão e privar os adeptos de o ver jogar? Não seria mais justo pisar-lhe os calos com uma multa que até a ele, que ganha fortunas, deixasse a pensar se valia a pena repetir a graçola? Nos Estados Unidos usa-se o método da multa pesada, apoiado na melhor argumentação possível: o respeito por quem paga e, por isso, tem direito a ver jogar os melhores.

A verdade acima de tudo, mas fica-me sempre a ideia de que malandragem não só faz parte do futebol como lhe faz falta. Há uns anos as fúrias das táticas quase matava as fintas. Uma vez reposta a apologia do talento, não convém levar o policiamento ao exagero. Ninguém quer ver um futebol de robôs ou macaquinhos amestrados.