A banana

Carlos Machado

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José Mourinho voltou a marcar a diferença numa questão de pormenor

José Mourinho voltou a surpreender tudo e todos quando, no decorrer da segunda parte do Manchester United-Rostov, apareceu junto à linha lateral a descascar uma banana. A seguir fez um sinal para dentro do campo, Ashley Young (aquecia na linha) aproximou-se dele a correr, pegou na banana e entregou-a a Marcos Rojo, que a comeu em duas trincas, sem deixar de correr. De tão incomum, a foto de Mourinho correu mundo, o vídeo há de tornar-se viral nas redes sociais e o gesto será por muitos visto como exibicionista, quando se tratou de um gesto de conhecimento e competência. O próprio disse ontem que tem muitos inimigos (usou o plural "temos" sem necessidade), e é tão verdade afirmá-lo como acrescentar não se importar minimamente com isso.Para Mourinho, o importante continua a ser ganhar e, como disse um dia a O JOGO, para ganhar vale tudo. Continua a valer. Não se pode é retorcer a afirmação ou atribuir-lhe significados ínvios. Quando a disse, foi na sequência de ter agarrado um adversário para atrasar um lançamento. Para ele, tratou-se de um gesto necessário. Como o de ontem. Rojo estava de rastos, precisava mesmo de ingerir um alimento energético para melhorar os índices físicos e o técnico estava atento e deu-lho. No ténis, já ninguém estranha ver os jogadores, no descanso entre jogos, darem uma trinca numa banana; no futebol, foi novidade. Se calhar, vai tornar-se moda, mas o importante foi o pormenor. É nos pormenores que se ganha.

John Stones, central do Manchester City, contou que Guardiola tinha avisado que os jogos da Champions se decidem nas bolas paradas e dado o exemplo do Nápoles-Real Madrid. O descuido da defesa dos citizens valeu o terceiro golo ao Mónaco e o bilhete para os quartos de final. Falhou o pormenor. O de Mourinho, frente ao Rostov, foi alimentar um jogador.