Quando são os números a votar, em vez dos espanhóis, não há como tapar Mourinho.
A crítica biquíni é uma constatação do jornalista espanhol Júlio César Iglesias, no diário Marca de ontem. O biquíni, como todos sabemos, é aquela peça de vestuário famosa por mostrar tudo exceto o fundamental. "É menos importante a quantidade astronómica de golos que [Cristiano Ronaldo] marca do que a sua maneira de celebrá-los".
Iglesias não o diz, mas os recentes prémios da liga espanhola também foram, se não prémios biquíni, pelo menos prémios topless, porque só mostraram o Barcelona e fizeram de conta que não houve nem Mourinho nem Ronaldo embrulhados no melhor Real Madrid de sempre no campeonato de Espanha. Foi mais do que uma negação da história: foi uma negação da negação, porque a história, como sabemos também, cultiva o hábito de se deixar escrever pelos vencedores e nem isso aconteceu: por uma vez, foram os derrotados a dar-lhe a volta. No impacto de Mourinho, sobretudo ele, há muita culpa própria, mas ainda mais vontade alheia de usar essa culpa para lhe retirar o irretirável.
Em duas épocas e meia, o Real Madrid do "treinador defensivista" foi, afinal, a equipa mais goleadora da Europa - os golos hão de ter sido horrendos e o futebol miserável, claro - e Mourinho atinge os cem jogos na Liga dos Campeões com menos idade e mais vitórias do que qualquer um dos outros quatro técnicos já chegados a essa marca. É a perversão dos números. Com eles, nem biquínis nem topless; sempre nu integral.
