Apesar da saliva que se gastou escusadamente durante toda a semana passada - e que deve estar a fazer falta agora para os imprescindíveis agradecimentos a Passos Coelho -, só um dos envolvidos nos negócios do Zenit saiu a perder em Portugal, e não foi o FC Porto, nem o Benfica, nem Witsel: foi Hulk. Saiu a perder, porque a discussão teve o efeito de o apequenar, como se um par de números num papel pudesse tornar iguais dois jogadores de valor e passado muito diferentes. Witsel pode ter-se medido com Hulk, por graça, durante uns dias, mas o próprio espanto pelos 40 milhões que valeu, em contraste com o regabofe pelas verbas de Hulk (como se tivessem sido pequenas ou até menos que surpreendentes para quem acompanhava o mercado apenas umas semanas antes), diz tudo sobre a distância que os separa. O grande reforço do Zenit foi Hulk, era Hulk que os russos (e o resto do planeta colonizado pelo futebol) conheciam e a referência daqui por diante é ele: para a Europa inteira, o Zenit será a equipa de Hulk, muito antes de vir à memória qualquer outro jogador. E se no desprezo com que fala do Benfica - e, consequentemente, da liga portuguesa -, Witsel se pode defender com o potencial futebolístico da sua nova equipa, também é porque está lá Hulk. Sem ele, não seria Witsel (um médio soberbo, sem dúvida) o suficiente para alterar o prognóstico de "acessível" que ainda na época passada todos os analistas fizeram quando o Zenit foi sorteado como adversário, primeiro do FC Porto e depois do Benfica. Com Hulk no onze, claro, ninguém diria o mesmo. E o melhor para o fim: sem Hulk no Zenit, a transferência que Witsel tanto forçou seria um estúpido suicídio profissional.