José Manuel Ribeiro

Varela transfigura os figurantes

Publicado por José Manuel Ribeiro
Apontada como o ponto fraco da equipa, a segunda linha da Seleção vai fazendo o seu papel
Em tempos foi porque Portugal era só Futre; depois foi porque era só Figo; agora porque é só Cristiano Ronaldo. Durante o tempo que duraram essas três gerações não foram apenas os estrangeiros a pensar isso - como dizia o selecionador do Azerbaijão -, se é que alguma vez pensaram. A seleção portuguesa terá sempre dificuldades para sair da cepa torta enquanto a opinião pública não for capaz de reprimir o menosprezo pelos alegados figurantes.

Apesar das evidências em contrário, a convicção geral antes do Euro'2012 era a de que Portugal dispunha de um onze aceitável e total ausência de substitutos à altura: isto foi dito, escrito e gravado por vários ilustres comentadores e figuras da bola. Foi nesse contexto que Varela marcou à Dinamarca, no segundo jogo do Europeu, e se tornou numa espécie de símbolo da hipotética revolta muda contra uma perceção falsa que, obrigatoriamente, fará uma boa parte dos internacionais portugueses sentir-se como vagos auxiliares dos protagonistas.

Além do controlo apertado que ontem confirmou ter sobre os estados de alma da equipa - uma grande evolução relativamente aos antecessores mais recentes -, Paulo Bento também soube credibilizar as segundas linhas, que já não são aqueles fantasmas desalentados que noutros tempos víamos arrastar-se do banco, em jogos como este do Azerbaijão, só para prolongar a agonia. E dar aos catastrofistas a ideia de terem razão.