Três casos, três visões esdrúxulas da espécie humana. A primeira, conforme escreveu Joel Neto na Quinta Coluna de hoje, é a que o Sporting parece ter de Sunil Chhetri, jogador indiano, de 27 anos, a despejar na equipa B. Chhetri é um futebolista-objeto condenado a aperceber-se de que não foi pelos lindos pés que o contrataram. Está longe de ser o primeiro da espécie, mas admitamos que a Beckham ou Nakata eram dados outros meios para afogar a desilusão profissional. Meios esses - dinheiro, luxo, estatuto - diretamente relacionados com o segundo caso, levantado pelo selecionador do Brasil ao justificar as escolhas para os Jogos Olímpicos: Mano Menezes leva Hulk porque ele "está a pensar numa transferência" e "quer mostrar-se", não porque tenha sentido, no jogador, nenhum ardor particular pela seleção nem pela ideia de finalmente vestir de amarelo numa grande prova internacional. Chamou-o porque tinha dúvidas de que as alternativas já saciadas de fama não fossem para Londres sornar. Uma leitura condizente, enfim, com a do terceiro caso, ontem ressuscitado em toda a sua barafunda, que é o da abolição dos empréstimos nos campeonatos profissionais portugueses em defesa da verdade desportiva. Também aí, nessa preocupação, se sugere o pior das pessoas, porque uma das variantes em causa obriga mesmo a partir-se do princípio de que o jogador emprestado possa agir ilicitamente em benefício do emprestador. São os futebolistas-objetos pontiagudos e estão na base de todo o problema: é por não haver pejo nenhum, durante as épocas, em lançar alegremente suspeitas sobre eles (e sobre tudo o que mexe, pensando bem) que uma situação tão trivial como um empréstimo se torna uma ameaça à verdade desportiva