Como este jogo, convém dizer, não haverá mais. Poucas equipas, provavelmente nenhuma, serão tão generosas com o espaço como foi a Holanda ontem à noite, mas é justo lembrar que, para o fazer, pôs em campo três dos melhores avançados do planeta, entre os quais os melhores marcadores dos campeonatos inglês e alemão, e dois dos melhores médios ofensivos da atualidade.
Até ao final do Europeu, Portugal não voltará a ter a sorte de encontrar adversários tão despreocupados com a defesa, sobretudo depois dos avisos que deixou, nem corre grande risco de enfrentar uma concentração de poder de fogo comparável. Ter sido capaz de o neutralizar como se fosse uma tarefa de menor importância, praticamente sem tirar um cabelo do sítio (no caso de Pepe, é literal a dobrar) foi a grande façanha, por muito que a hecatombe no contra-ataque tenha impressionado e vá agora servir para cultivar ilusões e outra cambalhota na opinião pública.
Da fase de grupos do Europeu, Portugal não sai mais nem menos candidato do que era antes; sai uma equipa pronta para abordar os jogos diferentes que aí vêm e esperançosa de que a grande forma de Cristiano Ronaldo, Nani, João Moutinho, Pepe, Coentrão e vários outros se mantenha, sobretudo a dos três primeiros, que faltaram ao Mundial'2010. Dois em corpo e o outro em espírito.