A segunda jornada do Europeu não provou nada, mas demonstrou muito. Demonstrou, por exemplo, que a praga da finalização é, de alguma forma, um mal-entendido, porque os golos aparecem na proporção do tempo que a bola passa nas zonas em que é suposto marcá-los, e também que a tal equipa de jogadores apenas medianos escondida atrás de Cristiano Ronaldo consegue sair de situações bicudas sem a ajuda do alter-ego dele, o tal melhor jogador da Europa.
Ou ainda que Paulo Bento tem andado a levar nas orelhas pela razão errada, como confirmaram o andamento do Dinamarca-Portugal e, sobretudo, os minutos de pânico que a Alemanha provocou numa Holanda que quis seguir os conselhos de Figo e Rui Costa e ter ambição à força toda. Não foi por atacar pouco ou por tomar demasiadas precauções que a Seleção autorizou o empate aos dinamarqueses: foi porque Paulo Bento assumiu, na base, que prefere a qualidade de saída de bola (e os livres e cantos) de Miguel Veloso à segurança que a alternativa, Custódio, poderia trazer.
Não é por medo, com certeza, que alinha o primeiro em vez do segundo e a volatilidade do jogo confirmou em absoluto a existência de um risco nessa opção, embora não explique efeitos colaterais, como o facto de não ter havido nenhuma tentativa visível para pôr alguém na ajuda a Fábio Coentrão, apesar dos estragos que a ala direita dos dinamarqueses fez por ali quase toda a segunda parte, até dar mais um golo a Bendtner.