Jorge Maia

Queda para a comédia de costumes

Publicado por Jorge Maia
Agora, quando Jesus diz que o caso de Luisão uniu a equipa, já não se ri. Afinal, perder o capitão no arranque do campeonato não teria graça nenhuma
Acho que foi Millôr Fernandes quem disse que não devemos bater num homem que está no chão, a menos que tenhamos a certeza que ele não se vai levantar. Numa adaptação livre, também se pode dizer que talvez não seja muito boa ideia rir de um homem caído, a menos que tenhamos a certeza que ele não se vai levantar.

Ora, Luisão não soube medir as distâncias. Nem a sua em relação ao senhor Fischer, o árbitro do Fortuna Dusseldorf-Benfica, nem provavelmente a que vai de Portugal para a Alemanha. Por cá, fazer peito para o árbitro é tão normal que já se tornou praticamente numa das atribuições de qualquer capitão de equipa. Mais ou menos como escolher entre campo e bola. E os nossos árbitros são rijos. Aguentam todo o tipo de abusos, dos verbais aos físicos, passando pelos psicológicos sem pestanejar. Ainda na última época tivemos um pouco de tudo: insultos, agressões, revelação de dados pessoais e tudo sem um único desmaio a registar.

Luisão não tinha como saber isso, mas apesar do tamanho, o senhor Fischer é um ser mais sensível. Aliás, tão sensível que o que lhe doeu mais, percebe-se agora, nem sequer foi o encosto do central encarnado, mas os risos que se seguiram à sua queda para o teatro, chamemos-lhe assim. Sucede, como se dizia no início, que não é boa ideia rir de um homem caído, a menos que tenhamos a certeza que ele não se vai levantar. Ora, o senhor Fischer levantou-se e agora, quando Jesus diz que o caso de Luisão uniu a equipa, já não se ri. Afinal, perder o capitão no arranque do campeonato não teria graça nenhuma.