Alguém disse em tempos que muitas vezes é preciso mudar algumas coisas para que tudo fique exatamente na mesma. Ora, no mesmo dia em que o Benfica entregou, na Federação Portuguesa de Futebol, o recurso contra a proibição de empréstimos entre clubes da mesma divisão para ser analisado pelo Conselho de Justiça, o guarda-redes Oblak integrou-se no estágio do Rio Ave em Ofir.Oblak, recorde-se, ainda pertence aos quadros do Benfica, mas deverá rescindir em breve com o clube da Luz para poder alinhar pelos vila-condenses, sendo praticamente certo que os encarnados manterão algum tipo de preferência sobre a sua recontratação futura. No fundo, uma forma mais ou menos criativa - e até previsível - de contornar uma lei absurda, que lesa o interesse dos clubes e, principalmente, dos jogadores sem conseguir, como é bom de ver, evitar que a sombra da suspeição se instale. De resto, trata-se de uma solução que a curto prazo, e a menos que o recurso dos encarnados para o CJ tenha provimento, há de ser copiada por outros clubes.Albert Einstein disse uma vez que nada era mais lesivo para o respeito dos governantes do que a aprovação de leis que não podiam ser respeitadas nem cumpridas. Esta norma que proíbe os empréstimos entre clubes da mesma divisão pertence a esse grupo: não passa de um convite à desobediência. E há convites que não se recusam.