Confesso não me sentir melhor, pior ou tão pouco diferente; ter seguramente forma, estilo, filosofia de vida distinta; gostar de passarinhos fritos, moelas ou caracoletas grelhadas, francesinhas (no prato e...), loiras ou morenas (bejecas e das outras), velocidade, campo e praia, convívios animados com anedotas ou conversas mais elaboradas; pelar-me por boa patuscada; agradar-me bom champanhe ou uma aguardente velha; admitir casamentos gays (com uma reserva: desde que entre políticos e/ou governantes para que não se reproduzam); não gostar - detestar mesmo - de paninhos quentes, adocicar questões, tornear problemas, principalmente se à luz dos meus olhos, o que é claro não é escuro; que hoje como ontem, no ativo, me recuso a catalogar a arbitragem como parceiro isolado do futebol só porque não tem massa adepta. Não tem massa adepta? Não tem simpatizantes? O que são aqueles que nos estádios, independentemente da cor que perfilham, não param de clamar contra os árbitros? Não sofrem as agruras do dia a dia? As mães, irmãs ou cônjuges não estão expostas às mesmas invetivas habitualmente proferidas para apoquentar os oficiais de jogo?!Quando arbitrava, apesar de a minha não ser audível, a animosidade verbal era recíproca. Ter errado e ainda hoje, mesmo com a ajuda da TV, continuar a errar; não me considerar lorpa e quando me tratam como tal, ficar... (não, não é com azia) virado do avesso, sobretudo por lhes conhecer as manhas, perceber-lhes os propósitos, antecipar-lhes os objetivos; entender o futebol, expressão de habilidade, competência, arte de fazer maioritariamente com os pés o que muitos não fazem com as mãos, como um jogo e, como tal, sujeito aos sortilégios da sorte e do azar, por isso não enfileiro nos que atribuem justiça ou injustiça aos resultados. Portugal bateu-se de igual para igual com o campeão do mundo e da Europa, caiu nas grandes penalidades porque, na hora da verdade, alguém falhou, não teve a destreza necessária à consumação dos propósitos. Lendo as notícias posteriores, o turco Çakir sobrepôs-se às dúvidas suscitadas quanto à sua nomeação. Tê-lo-á feito? Aos 29', Nani isolou-se com perigo; estupidamente, o árbitro interrompeu para marcar falta a meio-campo. Aos 76', Nani efetuou um cruzamento/remate e, na sua frente, um espanhol colocou os braços na presunção de defender o dorso. O gesto foi bem mais que simples proteção! Outros pequenos nadas não permitem considerar brilhante o desempenho. Stéphane Lannoy, o francês que nos havia feito arrepelar os cabelos no Portugal-Alemanha, esteve no encontro da segunda meia-final. Desta feita sem reparos. Que critério presidiu à sua premiação? Entendo o futebol, mais que nunca, como um negócio de lazer, caro, que envolve imensos interesses financeiros. Platini, o rosto e a voz da segunda mais poderosa empresa do mundo, manifestou qual o interesse comercial imediato desse negócio. Teve azar, não se concretizou! Espanha e Itália medirão forças.Pedro Proença dirigirá a final no domingo. Será o primeiro português a ver concretizado tal desiderato. Do que se viu ao longo da prova, podemos considerar, sem sofismas ou patriotismos bacocos, que até foi dos melhores. Justifica a presença, alcança o olimpo europeu e desbrava caminho para o próximo Mundial. O trabalho de sapa e apoio de bastidores iniciados há anos provam ter surtido efeito.