Joel Neto

Os rins de PPC

Publicado por Joel Neto
o ponto em que estamos, parece-me perfeitamente possível que, como escreveu Rogério Alves, os factos imputados a Paulo Pereira Cristóvão não comportem, do ponto de vista criminal, "indicadores fortes que permitam concluir quem teve um prejuízo". Com tanta letra, a lei portuguesa dá por si desprovida de espírito, o que a paralisa perante as mais ínfimas singularidades processuais. Agora, o arquivamento do respetivo processo pela Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga dá-me vontade de rir. Pelo argumento utilizado, como por o que ele revela sobre a nossa justiça desportiva. Segundo aquele órgão, não foi possível concluir que PPC tenha tentado coagir árbitros, mas foi possível concluir que possuía "informações reservadas sobre os árbitros de primeira categoria". E, no entanto, possuir "informações reservadas sobre os árbitros de primeira categoria" é apenas uma "infração disciplinar leve", pelo que "ocorreu a prescrição do procedimento disciplinar ainda antes da instauração do inquérito". E não, "leve" não é uma conjugação do verbo levar. Recolher, sistematizar e guardar "informações reservadas sobre os árbitros de primeira categoria" é, no futebol português, uma infração menor mesmo. É só a mim que isto deixa perplexo?

Vão pagar caro

Os sorteios da Liga dos Campeões e da Liga Europa parece terem sido feitos à medida de umas meias-finais explosivas, com os quatro maiores clubes de cada prova em confronto. Curiosamente, e no caso da equação Benfica/Newcastle, os ingleses estão convencidos de que são esse clube. Para uma equipa da segunda metade da tabela da liga inglesa que ainda não há muito tempo lutava por um lugar de manutenção, parece-me um pouquinho de confiança a mais. Eu, se fosse a Jesus, recortava e afixava no balneário.

Lápis vermelho

É claro que o FC Porto tem o direito de continuar na Taça da Liga. Mas, já agora, reescrevam a lei. O lixo debaixo do tapete acaba sempre por cheirar mal.