Olha-se para o Relatório e Contas do Manchester United e percebe-se o interesse de David Beckham no Málaga, tal como se percebe o interesse de outros magnatas em outros clubes de futebol e, aliás, a fé de Godinho Lopes (por exemplo) em encontrar um investidor capaz de resgatar o Sporting. De facto, o futebol pode dar dinheiro. Mais do que isso: pode refundar-se enquanto indústria, porque como demonstra o dito documento, o Manchester perdeu em 2011/12 milhões de euros em prémios desportivos e em direitos de televisão - por via, nomeadamente, da eliminação precoce na Liga dos Campeões -, mas, mesmo assim, aumentou os lucros, tendo crescido qualquer coisa como 1115% (sim, mil cento e quinze por cento) em faturação de direitos de imagem e merchandising. Portanto, há esperança. Há. Mas também é preciso perceber duas coisas. A primeira é que o Manchester é inglês, comunica na língua mais utilizada ao redor do globo e desperta espontaneamente a curiosidade de milhões de amantes de futebol dispersos por aquilo que resta de um império e/ou permanece formalmente sob a soberania da rainha, incluindo vários países sem campeonatos de futebol a sério. A segunda é que ainda 90 por cento dos clubes europeus continuavam por despertar para a empresarialização do futebol, já o United vinha empreendendo caminho na área. Agora, pois, é vê-lo passear. No fundo, foi sempre assim em qualquer indústria e em qualquer lugar do mundo. Mas, como exemplo prático, não serve assim de tanto.
Só mais esta
... e não falo mais nisto
A minha última pergunta sobre o caso Luisão é simples: se no dia em que o jogador atropelou o infame árbitro alemão faltavam ainda três semanas para o fecho das inscrições de novos jogadores, não deveria o Benfica ter-se precavido de maneira a não ficar agora dependente de Miguel Vítor, uma rebuscada solução de recurso, e de Jardel, até há muito pouco tempo votado à equipa B? Com franqueza: quando, ainda há uns dias, o clube se esforçava por fazer crer que não acreditava num castigo, eu acreditei que se tratava apenas de uma manobra para condicionar a justiça desportiva. Afinal parece que efetivamente se acreditava nisso na Luz. E vão continuar a zangar-se por eu utilizar a palavra "amadorismo"?