Joel Neto

Qual é a regra?

Publicado por Joel Neto
Batota sim, ronha jamais
Começa a ser muito difícil perceber o critério do COI no momento de ajuizar se este ou aquele atleta deve continuar em competição nos Jogos Olímpicos e se esta ou aquela medalha deve continuar a ser reconhecida ou simplesmente retirada. Quer dizer: quatro duplas asiáticas do badminton são excluídas por ronha, mas o britânico Philip Hindes pode gabar-se à vontade de se ter atirado para o chão de propósito numa corrida de ciclismo, de maneira a ganhar o direito a uma segunda partida? O sul-africano Cameron van der Burgh confessa impunemente que fez batota nos movimentos de pernas, mas o argelino Taoufik Makhloufi é expulso dos 1500 metros por ter desistido sem razão aparente nos 800 metros - e, ainda por cima, logo a seguir é reintegrado, bastando-lhe para tal um atestado dos médicos da sua própria delegação? Não vejo onde entende o COI que acaba o acaso e começa a responsabilidade dos atletas pela verdade desportiva. Ou será que a verdade desportiva, este ano, deixa de estar em causa no momento em que se conclui a cerimónia do pódio?

Questão ao lado

E, pronto. Como confessou o chefe da missão portuguesa ter suspirado no momento da consagração, "Já está!". Portugal ganhou a sua medalhinha e tem os Jogos resolvidos. Chegou a altura, pois, de discutir porque é que a canoagem tem tão poucos apoios, se é tão óbvio que é uma das modalidades em que demonstramos mais genica. Por mim, confesso-me desde já rendido. A nossa capacidade para nos centrarmos na questão errada nunca cessa de maravilhar-me. Nem a nossa deriva entre a euforia e a angústia de enternecer-me.

Um abraço chinês

A história de Liu Xiang, o chinês que caminhou os 100 m barreiras por não conseguir corrê-los, recorda-nos uma coisa de que, no meio de tantas medalhas, de tantos rostos fechados e de tantas anedotas sobre a decapitação de não premiados, nos esquecemos: os atletas chineses são tão seres humanos como os nossos. Podia ser uma verdade lapalissiana. Neste caso não é.