O que agora me preocupa, quanto à Seleção, é esta sensação de que batemos no teto. Por mim, claro, bastava ir às meias-finais de dois em dois anos, que seria pecúlio astronómico. Um país desta dimensão, e com esta base de recrutamento, fazer pódios europeus e mundiais é qualquer coisa de excecional. Mas é a esperança do torneio perfeito, do mês perfeito, desse ano mágico em que finalmente venceremos que alimenta cada campanha. E essa esperança nasce de duas coisas: dos bons resultados recentes e dos jogadores que prometem vir colmatar as lacunas existentes, injetando sangue novo no universo dos convocáveis. Pois é isso que, por esta altura, eu não consigo encontrar. O que me parece, pelo contrário, é que Paulo Bento, mais do que levar ao Europeu todos os escassos 23 jogadores que podia levar, jogou no Europeu com os escassos 15 ou 16 jogadores com que podia jogar. O que, naturalmente, só reforça os seus méritos. Quanto a novas expectativas, porém, nada. Laterais-direitos, médios mais criativos, pontas de lança: procura-se, procura-se, e quando muito encontra-se uma ou outra vaga promessa. Eis, pois, o desafio para o próximo biénio: tirar coelhos da cartola. Scolari era bom nisso. Sê-lo-á Paulo Bento?Dores à vistaAcusamos os governos de aproveitarem a euforia das grandes competições internacionais de futebol para aplicarem as medidas mais impopulares, usando a alienação do povo para a sua própria proteção, mas a manobra de diversão serve os intentos de alguns agentes do futebol também. Ontem, no primeiro dia após a eliminação do Europeu, os média voltaram-se para o plano interno, atualizando a informação sobre as reformulações dos plantéis dos clubes. E garantiu desde logo Godinho Lopes: "O Sporting só fará contratações cirúrgicas". Ou muito me engano, ou a ressaca dos sportinguistas vai ser dupla: uma pela dura realidade da eliminação de Portugal, outra pela duríssima evidência de uma nova época com menos investimento ainda do que aquela que já correu tão mal.