Certo: eu também preferia que Michel Platini tivesse vestido a camisola da equidistância, honrando as velhas e sofisticadas tradições europeias da independência e da igualdade de oportunidades. Sobretudo depois de, há uns tempos, ter dito que já nem era francês, mas suíço (por via do cargo de presidente da UEFA, isto é). Mas - por favor - previsões como a que ele fez, adivinhando uma final Espanha-Alemanha no Euro 2012, são mato noutras modalidades desportivas, em particular nos EUA. Destinam-se, acima de tudo, a promover o produto posto à venda. E, se nós não queríamos que o futebol se gerisse segundo as regras do capitalismo, então não devíamos ter deixado que a Champions League se tornasse no supremo modelo de competição de sucesso. O problema nasceu aí (e com Lennart Johansson), não neste Europeu (nem com Platini).
Um desperdício
É impressão minha ou, apesar da chegada aos quartos de final, continuamos a celebrar bastante comedidamente a carreira da Seleção? As televisões fazem um esforço, os jornais dedicam-se de alma e coração. Mas não há bandeiras nas varandas, não há um hino consensual a ecoar a todo instante de cada janela aberta, a própria publicidade parasitária parece muito menos criativa. Ou muito me engano, ou falhámos uma bela oportunidade de exercitar a alegria. E, se calhar, valerá a pena recordá-lo da próxima vez, antes de estragarmos tudo com a obsessão de ajustar contas pelo mau momento coletivo que vivemos com quem não só não tem culpa, como ainda por cima nunca nos cobrou o que quer que fosse.
Contem comigo
Não sei quanto a vós, mas eu estou a adorar as manifestações das feministas ucranianas. Claro que, se o protesto é contra o turismo sexual, talvez não seja completamente boa ideia fazer tão belas exibições do produto que os turistas em causa mais procuram. Mas por mim, repito, estão à vontade. Isto a vida são dois dias - e o primeiro já foi ontem.