Aí está o mais esperado e previsível arranque retórico do campeonato, a provar que nada mudou nem vai mudar no futebol português. O caso Luisão nem sequer precisava de ser tão dúbio e polémico para servir de pretexto para mais uns remoques entre os presidentes do FC Porto e Benfica, sem que nesta ordem de apresentação exista qualquer hierarquização de responsabilidades em mais um confronto que passou da alfinetada ao insulto com a facilidade habitual. Não adianta falar de mal-entendidos e muito menos de inabilidade na abordagem aos temas.
Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa - mantém-se o pressuposto da arbitrariedade na ordem de nomeação - alimentam-se destas guerras, é com elas que contribuem para o engrandecimento da indústria do futebol, que repetida e convenientemente é apontada como uma das mais competitivas do país em certames internacionais.
O belicismo emprestado a qualquer discussão, a constante intromissão na vida alheia com o propósito de achincalhar faz parte de um modo de estar, de uma estranha (mas já antiga) via para o sucesso. O confronto gera seguidismo, a rivalidade aguça o apetite, das fraquezas fazem-se forças. Até um dia. Porque pode chegar a altura em que os adeptos se cansem, comecem a duvidar do folclore e a virar as costas.
Até lá, enquanto a fórmula atual for a do sucesso, convém não esquecer que o futebol é um divertimento para uns e um modo de vida para outros. Não pode ir além disso.