Há uma altura na vida em que se percebe que as memórias começam a ser amargamente distantes. Por exemplo, andar às voltas com a história e perceber que o golo mágico de Van Basten à URSS (quem o viu mesmo diferido nunca o esquecerá) aconteceu há 24 anos - foi na final do Euro'1988 - é um choque. Vinícius de Moraes escreveu um dia que "a diferença de uma paixão eterna e a lembrança de um golo bonito é que a lembrança desse golo dura mais". Mesmo assim, chegam momentos em que o envelhecimento é mandado às malvas e queremos que determinado dia chegue depressa.
O Portugal-Espanha é um desses acontecimentos que dão vontade de tirar dias ao calendário. Não tem nada a ver com tirar descanso aos espanhóis. Trata-se apenas de fazer chegar rápido um jogo que promete tudo de bom que se possa imaginar.Ronaldo e Casillas têm estado nas bocas do mundo pelas razões óbvias, mas há outro grande combate em perspetiva: o dos gémeos maratonista.
Xavi e Moutinho são de outra galáxia, pertencem à nova geração de baixinhos que subjugaram a pontapés de habilidade o futebol dito científico, criado para gigantes robotizados. Espero que tenham acabado definitivamente com as captações da fita métrica, que a partir da década de 80 media o talento em centímetros. Fizeram-no de certeza. Aliás temos meio mundo à procura de Messis e a outra metade de Xavis. Podem ser que comece em breve a caça aos Moutinhos.