Cristiano Ronaldo falhou frente à Dinamarca dois lances de golo feito, o segundo dos quais será mesmo um dos mais incríveis erros de uma carreira de faturação contínua. Acontece aos melhores do mundo e o CR7 é um desses, mesmo tendo nascido num país que por vezes parece não gostar lá muito dele.
Há um modo de ser pequeno em que o grande se torna estranhamente incómodo. À parte isso, a boa notícia para além da vitória de Portugal frente à Dinamarca é que toda a gente apareceu no sítio certo no momento exato, provando o acerto da equipa, no sistema e na estrutura. Preocupante seria isso não acontecer.
Peguemos no exemplo da Espanha. Depois de uma série de equívocos frente à Itália, como a insistência em jogar demasiado à Barcelona sem Messi e sem David Silva, porque esperar que Silva seja Messi é perdê-lo também, a Espanha recuperou o esquema do sucesso. De volta à normalidade, aproveitando o que de melhor e aproveitável tem o Barça para transportar para a seleção, somando-lhe o ponta de lança que faltava, o resultado está a vista. É certo que o potencial da República da Irlanda não é comparável ao da Itália, mas se o campeão da Europa e do Mundo não tem identidade, então haverá pouco a esperar de todos os outros.
Em dois jogos, Portugal apresentou uma estrutura, uma ideia e soluções alternativas. Só pode estar no bom caminho. E Ronaldo não é um problema, é solução mesmo quando joga mal, porque mete medo, leva o adversário a alocar por conta dele mais recursos do que justificaria qualquer outro. É assim que aparecem os espaços. Nas bolas paradas e nas outras, desde que não se fale da de ouro.