Open da Austrália: o ajuste de contas entre Murray e Djokovic

Open da Austrália: o ajuste de contas entre Murray e Djokovic

Andy Murray procura debelar os seus fantasmas no Open da Austrália e conseguir, pela primeira vez, evitar que Novak Djokovic lhe roube o troféu do 'Grand Slam' que sempre lhe escapou.

Apostar numa final entre os dois primeiros do 'ranking' mundial é um investimento seguro ou não tivesse sido esse o elenco do derradeiro encontro do primeiro 'Grand Slam' do ano em quatro das seis últimas edições, sempre com o mesmo desfecho: o triunfo de Novak Djokovic, que no final da época passada viu Murray roubar-lhe a liderança da hierarquia.

Melbourne Park é o jardim privilegiado do sérvio, que conquistou seis dos seus 12 títulos do 'Grand Slam' nos antípodas (2008, 2011, 2012, 2013, 2015 e 2016), e o território da frustração do britânico, que perdeu para 'Djoko' as finais de 2016, 2015, 2013 e 2011, além da meia-final de 2012, e para Roger Federer a de 2010.

O bloqueio de Murray é tal que este ganhou apenas um 'set' (em 2015) nas cinco finais disputadas, uma estatística que, juntamente com a derrota na final do torneio de Doha frente ao homem que procura destroná-lo no 'ranking', pesará na confiança do número um mundial.

Nesta nova era no ténis, em que o 'Big Four' ficou reduzido a dois -- o regressado Roger Federer e o imprevisível Rafael Nadal também lá estarão, mas dificilmente serão candidatos sérios ao título -, há poucos nomes a apontar como 'outsiders'.

O primeiro, inevitavelmente, será Stanislas Wawrinka, que, além de ser o quarto tenista mundial, foi o único capaz de interromper o reinado de Djokovic no primeiro 'major' da época, ao derrotá-lo nos quartos de final em 2014 para avançar para o título.

Além do suíço, são incontornáveis as menções ao canadiano Milos Raonic, número três mundial, e ao japonês Kei Nishikori. No entanto, os dois têm uma lacuna evidente no currículo no momento de aspirar à coroação como vencedores: a falta de experiência.

Ambos estiveram apenas, por uma vez, na final de um 'Grand Slam' - Raonic caiu diante de Murray em Wimbledon (2016) e o quinto jogador da hierarquia ATP perdeu o Open dos Estados Unidos de 2014 para o croata Marin Cilic. O canadiano, que está no lado do quadro de Djokovic, tem como melhor resultado em Melbourne as meias-finais do ano passado e o japonês, que pode encontrar-se com Murray, soma três presenças nos quartos de final (2016, 2015 e 2012).

No quadro masculino do Open da Austrália estarão também os dois melhores tenistas portugueses: João Sousa (44.º) e Gastão Elias (81.º) vão encontrar dois 'locais' na primeira ronda, cruzando-se, respetivamente, com Jordan Thompson (75.º) e Nick Kyrgios (14.º).

Do lado feminino, o favoritismo recai todo em Angelique Kerber, que teve um 2016 de sonho, com início no 'slam' australiano e continuação na prata olímpica e no título no Open dos Estados Unidos.

A alemã, que arrebatou o número um mundial a Serena Williams, pondo fim a um reinado de 186 semanas consecutivas da norte-americana, começou mal o ano, com derrotas precoces em Brisbane e Sydney, ao contrário do que aconteceu à nova coqueluche do ténis feminino, a britânica Johanna Konta.

A décima jogadora mundial, que espantou tudo e todos ao chegar às meias-finais no ano passado, acaba de coroar-se campeã em Sydney e parece ser um dos nomes mais consistentes no assalto ao título.

Já Serena Williams, ainda vice-líder do 'ranking', é uma verdadeira incógnita: no regresso após quatro meses de paragem, a seis vezes campeã no 'major' australiano foi eliminada na segunda ronda em Auckland, pela modesta Madison Brengle, depois de cometer 88 erros não forçados.

O Open da Austrália decorre entre 16 e 29 de janeiro, em Melbourne.