Preparados para a altitude

António G. Rodrigues

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Hélder Rodrigues, Paulo Gonçalves e Mário Patrão treinaram de formas diferentes, mas sem descurar a altitude. De forma mais ou menos profissional, estão prontos para um Dakar mais duro

Dormir com uma máscara de oxigénio na cara ou simplesmente pegar na moto e partir rumo ao pico de Portugal continental foram as duas formas, diferentes, que os pilotos portugueses tiveram para encarar o mesmo problema, o das etapas em altitude do Dakar que arranca no próximo domingo.

Com três etapas disputadas a mais de 3600 metros de altitude, o físico dos pilotos vai ser posto especialmente à prova na edição deste ano, sobretudo porque coincidem com duas etapas maratona em três dias, logo, não haverá assistência mecânica. Numa delas, os pilotos vão cruzar os Andes 4800 metros acima do nível do mar. Motivos mais do que suficientes para obrigar a uma preparação mais cuidada para este tipo de cenário, em que a falta de oxigénio pode ter efeitos devastadores no corpo, sobretudo a partir dos 2400 metros. Os sintomas incluem fadiga, dores de cabeça, de estômago, tonturas e insónias. Os esforços agravam esta condição, podem resultar, por exemplo, numa grande sonolência. Tudo efeitos devastadores para pilotos de alta competição, sobretudo nas duas rodas, mais expostos ao perigo de uma queda.

Se Ruben Faria não se pôde preparar convenientemente, fruto de uma lesão sofrida há dois meses, Hélder Rodrigues, Paulo Gonçalves e mesmo Mário Patrão não descuraram uma ambientação a este tipo de condições.

"Já tinha feito preparação em altitude no passado. Este ano, fiz hipóxia durante dois meses (aclimatação ao baixo teor de oxigénio), com uma máscara de oxigénio", explicou Hélder Rodrigues, que mudou de preparador físico. Agora é Manuel Alves, que trabalha regularmente com João Silva e foi selecionador nacional de triatlo - modalidade onde se vulgarizou o treino em altitude -, a tratar do físico do piloto da Honda, que passou muito tempo no Centro de Alto Rendimento do Jamor. Por lá também esteve Paulo Gonçalves. No entanto, o piloto de Esposende, companheiro de equipa de Hélder Rodrigues, não treinou em altitude. Limitou-se a testar a resistência do seu corpo aos efeitos da escassez de oxigénio. "Correu bem. Já no ano passado estivemos a 4300 metros e senti-me muito bem", garante.

Com menos tempo e menos condições de treino, Mário Patrão foi obrigado a improvisar. "Como tenho de tratar da logística da minha participação, perco muito tempo com trâmites administrativos. Só consegui ir treinar algumas vezes de moto para a Serra da Estrela", admitiu a O JOGO. Sendo natural de Seia, Patrão sabe bem o que é andar em altitudes altas. Certo é que o nível de preparação dos pilotos portugueses traduz o profissionalismo com que encaram a prova. Com três pódios no Dakar e dois títulos mundiais, eles estão entre os melhores.