Volta: García de Mateos foi mais feliz no jogo das bonificações

Volta: García de Mateos foi mais feliz no jogo das bonificações

Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) consumou o que Gustavo Veloso tentou (W52-FC Porto), 'sprintando' para a vitória e bonificações na oitava etapa da 79.ª Volta a Portugal em bicicleta, que o deixaram no segundo lugar da geral.

Mal colocado à entrada do pronunciado empedrado da chegada a Oliveira de Azeméis, Gustavo Veloso viu Vicente García de Mateos completar o jogo das bonificações que lançou duas dezenas de quilómetros mais atrás, com o corredor do Louletano-Hospital de Loulé a conquistar o triunfo e os respetivos dez segundos de bonificação que, aliados aos quatro perdidos por Raúl Alarcón (W52-FC Porto) na meta, o catapultaram para a vice-liderança da geral.

"É uma distância muito curta, mas ao mesmo tempo pode ser bem grande. Pode ser que esta Volta se decida por dois ou três segundos. Não sabemos", destacou García de Mateos, que, pelo terceiro ano consecutivo, vence etapas na Volta a Portugal.

Inesperadamente, em Oliveira de Azeméis, a firmeza da liderança de Raúl Alarcón sofreu um duríssimo abalo, com o 'dragão' a ceder quatro segundos na meta para toda a concorrência, que concluiu a tirada em 4:06.39. Apesar de demonstrar-se e afirmar-se tranquilo, o camisola amarela tem, na véspera da etapa que vai passar no alto da Torre, apenas 14 segundos de vantagem sobre o espanhol do Louletano, 19 sobre Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira), que desceu ao terceiro lugar mas reduziu diferenças, e 26 sobre o mais perigoso dos adversários, o seu colega Veloso.

Era, em teoria, a etapa mais plácida das que faltam percorrer na 79.ª edição para o líder da geral, contudo os 159,8 quilómetros entre Gondomar e Oliveira de Azeméis revelaram-se os mais traiçoeiros para o alicantino.

Para explicar o duro golpe sofrido pelo homem da W52-FC Porto há que recuar no tempo e no espaço, mais precisamente ao quilómetro 19, quando o russo Egor Silin (RP-Boavista) e o português Luís Afonso (LA Alumínios-Metalusa-Blackjack) fugiram ao pelotão.

O duo de fugitivos não se deixou atemorizar pelo calor sufocante e, na contagem de montanha de Vila Viçosa, passou com 9.30 minutos de vantagem sobre os perseguidores -- foi a maior diferença registada nesta edição. No entanto, a Efapel tinha planos claros para a chegada e lançou-se numa 'caça' desenfreada que terminou a 24 quilómetros da meta, no momento em que Silin e Afonso foram alcançados.

Sem saber, a equipa de Ovar, que pretendia levar Daniel Mestre à vitória na etapa -- o alentejano foi um desolado segundo, à frente do italiano Marco Tizza (GM Europa Ovini) -, 'ajudou' Gustavo Veloso, que 'sprintou' na meta volante de Nogueira do Cravo para amealhar os três segundos de bonificação, encurtar a diferença para o seu colega e levar De Mateos (dois) e Nocentini (um) a fazerem o mesmo.

O arranque do duplo campeão da Volta a Portugal (2014 e 2014) serviu de mote para uma nova tentativa de fuga, protagonizada por Rui Vinhas (W52-FC Porto), David Rodrigues (RP-Boavista) e Bjorn Thurau (Kuwait-Cartuchos.es), que foram apanhados a cinco quilómetros da meta, mesmo a tempo de permitir que Domingos Gonçalves (RP-Boavista) atacasse, para 'vingar' a desclassificação do irmão José Gonçalves na tirada de há dois anos.

Mas todas as tentativas tiveram o mesmo desfecho e, na inclinada e escorregadia Avenida D.Maria II, Amaro Antunes (W52-FC Porto) foi o primeiro a lançar-se, num renhidíssimo final em que García de Mateos foi ombro a ombro com Daniel Mestre até ao risco, com Veloso a ser quarto e Nocentini quinto.

"Estava-nos a faltar uma vitória nesta Volta a Portugal e finalmente chegou! Amanhã temos uma etapa muito dura, vamos ver como é que as pernas respondem e decidiremos a estratégia. Estou preparado para ganhar o contrarrelógio em Viseu, vamos ver como as pernas respondem. Ainda faltam dois dias e pode ser muito difícil", reconheceu o feliz vencedor que, na segunda-feira, vai ser, certamente, o homem a abater pela estratégia da W52-FC Porto, nos 184,1 quilómetros entre Lousã e Guarda, com direito a passagem no alto da Torre.