Andebolista do Sporting da Horta salvo pelos fisioterapeutas

Andebolista do Sporting da Horta salvo pelos fisioterapeutas
Carlos Flórido/Catarina Domingos

Tópicos

João Sousa está em coma induzido e sobreviverá graças aos profissionais de ISMAI e Horta. Ao contrário do futebol e basquetebol, o andebol não obriga a ter desfibriladores

Todos recordam a morte de Miklos Fehér, futebolista do Benfica, caído em pleno relvado, e alguns ainda se lembram da série de mortes súbitas no basquetebol. O andebol, que já teve casos menos mediáticos - entre 2008 e 2009 faleceram dois guarda-redes jovens, de Boavista e Jobra -, viu anteontem João Sousa recuperar a vida depois de assistido pelos fisioterapeutas João Carneiro e Catarina Moniz, que estavam no Pavilhão Municipal da Maia ao serviço de Sporting da Horta e ISMAI, e pelos profissionais do INEM.

João Sousa, central luso-brasileiro de 21 anos, estava a defender e fez uma falta - punida com exclusão de dois minutos - que o deixou caído logo aos dois minutos de um ISMAI-Horta que os açorianos venciam por 1-0. Foi assistido pelos dois fisioterapeutas durante os 15 a 20 minutos que demorou a chegada da assistência do INEM e terá sido isso a salvá-lo, apesar de ainda ter entrado no Hospital de S. João, no Porto, em paragem cardiorrespiratória. Durante a noite temeu-se o pior, tendo sido chamada a sua família.

Ontem, o jovem andebolista permaneceu em coma induzido e hipotermia, para permitir ao coração recuperar. Ao fim do dia, as notícias eram mais animadoras, mas se tudo indica que o jovem criado em Santarém sobreviverá ao choque que lhe parou o coração, dificilmente voltará a jogar andebol. Embora só hoje deva ser submetido a exames mais conclusivos, as primeiras observações detetaram uma arritmia, pelo que não foi apenas a pancada a deixá-lo às portas da morte.

"É um atleta normalíssimo, com potencial e cheio de vida", dizia ontem Jorge Rosa, dirigente do Sporting da Horta, que tinha uma equipa "de rastos" e entretanto de regresso ao Faial, onde amanhã à noite receberá o Sporting.

O caso voltou a recordar a falta de desfibriladores em recintos desportivos, pois apenas a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a federação de basquetebol têm regulamentos que os exigem. Na Maia, esse aparelho encontra-se no estádio municipal, que à hora do jogo estava encerrado.