
Benoit Tessier/Reuters
Raymond Domenech confessa que tremeu contra Portugal, em 2006. Mas, se tivesse de eleger um finalista adversário escolheria Portugal, porque tem corrido sempre bem... a França.
Portugal não vence a seleção francesa há 41 anos. Em 1975, com José Maria Pedroto aos comandos, Nené e Marinho fizeram os golos da última vitória. De então para cá, a equipa das Quinas tem nos gauleses uma espécie de besta negra, tendo perdido dez jogos em dez. Para trás ficaram já três oportunidades para chegar a finais das edições dos europeus de 1984 e 2000 e do Mundial da Alemanha, em 2006. Neste último, Raymond Domenech, então selecionador de França, foi um dos protagonistas e, em exclusivo a O JOGO, confessa o desejo de voltar a cruzar-se com Portugal, mas agora na final.
Já é quase uma tradição Portugal perder com a França. Isso significa que, em França, somos o adversário mais desejado?
-O sonho dos portugueses é vencer a França. Não tenho dúvidas disso. Não sei se vão cruzar-se, mas, sinceramente, espero que isso aconteça, porque corre sempre bem à França [risos].
Quer dizer que nem receia qualquer excesso de confiança da França, se acabar por cruzar-se com Portugal?
-Bem, os jogos entre as duas seleções sempre foram fantásticos. Aliás, quem chegou a colocar-se em vantagem nem sempre acabou por ganhar. São jogos excitantes, daqueles que agarram os adeptos, incendeiam e fazem nascer grandes paixões e grandes ódios. Marcam. O facto de a França ganhar desde 1975 [num encontro particular] não quer dizer que Portugal não tenha estado à beira de o conseguir. Algum dia Portugal vai acabar por conseguir mesmo, e só espero que não seja agora. Mas é normal que isso aconteça.
Sendo assim, imagino que, para além da França, vá torcer por Portugal...
-Óbvio. Com Portugal na final, ganhamos! Pelo menos tem sido assim até aqui. Até lhe digo já que vou comentar o Portugal-Áustria para a rádio.
De qualquer forma, é inegável que isso tem um efeito psicológico para as duas equipas, não?
-Acredito que sim. Estamos habituados a vencê-los. Em 2006, quando derrotámos Portugal (1-0) na meia-final do Mundial da Alemanha, tinham a melhor equipa daquela fase final. Ganhámos, mas fiquei a bater palmas aos portugueses no final e até tive problemas por causa disso, porque acharam que estava no gozo; foram palmas sinceras. Tínhamos ganho o jogo, mas tremi até ao apito final, porque Portugal tinha sido superior. Não acreditaram nas minhas palmas e aquilo ia acabando mal. Mas enfim...
Em 2000, nas meias-finais do Europeu já tinha sido um jogo dramático...
-Por acaso, aquele lance que o Abel Xavier cortou com a mão não me deixou dúvidas, porque vi tudo de um ângulo perfeito. Tinha mesmo cortado a bola com a mão. Mas que jogo! Uns minutos antes, Barthez tinha feito uma defesa enorme; foi incrível. Havia uma tensão como não vi em muitos jogos. Um Portugal-França é assim, emocionante, e aquele então foi de loucos.
