Taça das Confederações e o fantasma de um fracasso a pairar

Taça das Confederações e o fantasma de um fracasso a pairar
João Cardoso

A prova, que se disputa na Rússia, não está a despertar interesse. Atitude das seleções pode ser fatal para a organização. Esperança depositada quase na totalidade em Cristiano Ronaldo

Depois da inédita conquista do Campeonato da Europa, Portugal olha com natural expectativa para a Taça das Confederações, prova que nunca disputou e que junta os seis campeões continentais e o campeão mundial, para além do país-sede. Cristiano Ronaldo, capitão e figura maior da Seleção Nacional, já admitiu ter o sonho de conquistar a competição, empolgando ainda mais os amantes do futebol que torcem por Portugal.

Todavia, para lá do ponto de vista português, o cenário está longe de ser agradável. Desde a organização à forma como as restantes seleções olham para a prova, há evidências de um fracasso no próximo verão. Mas vamos por partes.

Primeiro, a organização da competição: o pontapé de saída está marcado para dia 17 de junho, mas ainda faltam vender direitos televisivos e muitos bilhetes. Se as cadeias televisivas não estão a mostrar interesse em comprar os direitos de transmissão - pelo menos pelos 108 milhões de euros exigidos pela FIFA -, o público também não está muito motivado para ir aos estádios. A pouca procura de bilhetes - só foram vendidos 200 mil de um universo de 700 mil - já levou o vice-presidente da Rússia, Vitaly Mutko, a mostrar preocupação. "Estamos inquietos no que diz respeito à venda de bilhetes", admitiu.

Depois, a maneira como as seleções estão a encarar a competição pode complicar ainda mais o cenário. A Alemanha, que ontem divulgou a lista de convocados, passou uma mensagem clara de que não está muito preocupada com o torneio ao deixar de fora alguns dos principais nomes. Neuer, Ozil e Muller, por exemplo, ficam em casa. A lista do selecionador alemão, de resto, corrobora as declarações do presidente da Federação alemã de Futebol, que em novembro classificou a Taça das Confederações como "uma prova obsoleta".

Neste cenário, Cristiano Ronaldo é visto como um verdadeiro salvador. Se é verdade que o internacional português já atingiu marcas pouco comuns para os comuns dos mortais, agora é esperado que consiga um milagre, ao seguir com a equipa das quinas para a Rússia e, com isso, convencer público e patrocinadores a investir.

Os jogadores do Chile também podem ajudar à promoção da competição, mas dos principais nomes, como Vidal ou Alexis Sànchez, ainda nenhum confirmou disponibilidade para integrar a convocatória.

Na Taça das Confederações, recorde-se, participam oito equipas, divididas inicialmente em dois grupos. Portugal arranca ao lado de México, Rússia e Nova Zelândia, ao passo que a Alemanha integra o grupo da Austrália, do Chile e dos Camarões. O primeiro jogo da equipa portuguesa está marcado para dia 18 de junho, às 16h00, frente ao México.

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