2012

"Guiné tem muitas etnias que não se entendem"

Publicado por JORGE MAIA VALENTE
O guineense Jonas Mendes foi surpreendido ontem de manhã no balneário do Beira-Mar com as notícias sobre o golpe militar em Bissau e as detenções do presidente interino Raimundo Pereira e do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

Nem rádio, jornais ou internet fizeram parte do final do dia anterior do guarda-redes, pelo que quando Dias, companheiro de equipa no Beira-Mar, lhe falou sobre a situação na Guiné-Bissau, Jonas nem queria acreditar. "Nem sabia o que estava a acontecer. Só esta manhã [ontem] é que me falaram dos atos violentos e da tomada da embaixada de Portugal", referiu o guardião a O JOGO. Ontem, à tarde, Jonas ficou a saber que estava tudo bem com os familiares, incluindo a mãe, que "por acaso viajou para a Guiné, mas graças a Deus não foi para Bissau". As más notícias "correm depressa" pelo que Jonas Mendes estava tranquilo. "A família em Lisboa também não disse nada, por isso está tudo calmo". O jogador natural do Canchungo não escondeu a tristeza sobre o momento que o seu país atravessa. "Sinceramente, estava com alguma esperança que fosse tomado um rumo melhor. Estive lá há pouco tempo e fiquei bem impressionado. Agora, com estas notícias, é uma tristeza grande. Só quem vive lá e conhece a história percebe como aquilo está complicado. A Guiné-Bissau é um país pequeno, mas tem muitas etnias que não se conseguem entender. Ninguém se senta para conversar e assim não há progresso", lamentou o futebolista, sem esconder o incómodo pelas notícias que chegam da Guiné-Bissau. Jonas Mendes é internacional pela Guiné-Bissau, seleção treinada pelo português Norton de Matos.

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