Santa Clara precisa de novo PER para sobreviver

Santa Clara precisa de novo PER para sobreviver

Rui Cordeiro, presidente do clube açoriano, reconhece a urgência de apresentar em tribunal um Processo Especial de Revitalização para reestruturar a dívida com o fisco e com o banco Santander para poder ter viabilidade económica

O presidente do Clube Desportivo Santa Clara afirmou que a sobrevivência do clube depende da aprovação de um novo Plano Especial de Revitalização, o mais urgentemente possível. Em assembleia-geral extraordinária, Rui Cordeiro esclareceu os associados que um novo PER é a única solução para o Santa Clara poder aspirar a ter futuro. "O plano de recuperação, quando foi aprovado, à partida, foi logo incumprido. Houve uma projeção financeira errada do plano e o Clube Desportivo Santa Clara tem de outra vez apresentar em tribunal um Processo Especial de Revitalização (PER) para reestruturar a dívida com o fisco e com o Santander para ter viabilidade económica", afirmou.

Em junho de 2015, de acordo com as contas apresentadas, o passivo do clube estava em cerca de 8,5 milhões de euros (ME), assim divididos: 3 ME à Santa Clara Açores - Futebol SAD; 1,2 ME ao Fisco; 1,2 ME ao Santander; 3,1 ME a diversas entidades e fornecedores. O PER que está em vigor foi iniciado em 2014 e Rui Cordeiro sublinha que o documento funciona como autêntico "colete-de-forças" e que possui "pés de barros". O presidente defende que tem de ser criado um PER "exequível" e expurgada a figura de Administrador Único, alertando os associados que a renegociação da dívida terá de ser feita com todos os credores.

Rui Cordeiro anunciou que até 20 de dezembro o assunto tem de ser resolvido, denunciando ainda que o anterior presidente do clube e da SAD penhorou nas Finanças 30 dos 10 por cento das ações da SAD. A apresentação do processo de reestruturação da dívida no Tribunal de Ponta Delgada que o clube pretende fazer terá o condão de suspender as ações executivas, como a penhora das ações, tendo o Santa Clara de pagar 94 mil ao Fisco até 20 de dezembro para poder aderir a um novo PER.

"Se não conseguirmos juntar esse valor, as ações serão leiloadas", alertou Rui Cordeiro.

Contas aprovadas

Na reunião magna de quarta-feira à noite os associados aprovaram, por maioria, as contas relativas às épocas de 2014/15 e 2015/16 e que apresentaram um resultado positivo de 261 mil euros e negativo de 93 mil euros, respetivamente. O bom desempenho financeiro da época 2014/15 deve-se à venda por 866 mil euros de apartamentos e do ginásio do clube à Oitante, veículo financeiro que ficou com os produtos tóxicos do antigo Banif, tal como figurava no Plano de Insolvência.