FC Porto implica Benfica "num esquema que envolve a arbitragem"

FC Porto implica Benfica "num esquema que envolve a arbitragem"
Bruno Filipe Monteiro/Carlos Gouveia

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Portistas insistem na acusação de os encarnados estarem implicados "num esquema que envolve a arbitragem"

Depois de Pedro Guerra, Paulo Gonçalves. O FC Porto não desarma na denúncia do que considera ser "um esquema de arbitragem" a envolver o Benfica e, ontem, o diretor de informação e comunicação dos dragões revelou mais de uma dezena de alegados emails entre Adão Mendes, o ex-árbitro da AF Braga, e o assessor jurídico dos encarnados. Além disso, Francisco J. Marques leu uma troca de supostas mensagens entre o dirigente encarnado e Nuno Cabral, ex-delegado da Liga de Clubes, outras entre Paulo Gonçalves e Mário Figueiredo, presidente da Liga, e entre este e Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados [ver texto secundário].

Numa primeira fase, o diretor portista expôs uma alegada troca de emails entre Adão Mendes e Paulo Gonçalves, datada de 9 de outubro de 2014, na qual o ex-árbitro da AF Braga pede para que seja revista uma nota do árbitro Manuel Mota. "Temos de lhe dar nota positiva. Ele [Manuel Mota] e eu apelamos ao Dr. sobre o Renato [filho de Adão Mendes] e o Vítor Pereira não disse nada até hoje. Já o puseram na jarra, tal como ao Manuel Mota. Abraço. Não podemos dormir. Vem aí o esfolar do cabrito"", leu Francisco J. Marques, que acusou o Benfica de estar "implicado num esquema que envolve a arbitragem e que adultera a verdade desportiva". Depois, revelou o recetor do pedido - Paulo Gonçalves -, lembrando que se trata de "uma pessoa com responsabilidades no Benfica, com dependência direta do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e da administração do Benfica. "Peço que ponha toda a carne no assador, como eu ponho todos os dias por "nós"", terá ainda escrito Adão Mendes, já num outro suposto email, datado de 23 de setembro do mesmo ano, solicitando auxílio na revisão de uma avaliação feita ao seu filho, Renato Mendes.

Essa semana, de resto, terá sido fértil em troca de emails sobre este assunto, uma vez que, no dia 29, Adão Mendes terá voltado ao tema, arrastando Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, para a conversa. "Enviei recurso para o presidente do CA, Sr. Vítor Pereira, e para o plenário do CA. O Vítor Pereira pode ser solução antes do recurso?", terá interrogado, levantando a suspeita de Francisco J. Marques: "Pergunta-se isto ao Paulo Gonçalves? Isso seria um cambalacho. Para perguntar isto, é porque sabe que Paulo Gonçalves tem alguma capacidade de influência", atira, divulgando novo suposto email de 6 de julho de 2016, no qual o antigo juiz da AF Braga enumera uma lista de candidatos a assistentes, da qual constaria... o filho. "Por esta ordem, estes são os melhores e nada pode falhar", terá escrito. "Que vigarice é vem a ser esta? Que cambalachos são estes? O Benfica não está implicado nisto?", questiona o dirigente azul e branco.

Mais à frente introduziu Nuno Cabral como protagonista na história. Este delegado da Liga na altura dos factos terá enviado uma série de emails a Paulo Gonçalves, colocando-se também à disposição do Benfica. "Obrigado, amigo Dr., apenas quero ser o menino querido para vocês e fazer o meu trabalho. E que o "homem" confie em mim, tal como o Dr.", terá escrito. Noutro email, Nuno Cabral envia uma lista de árbitros da segunda categoria que iria fazer o estágio para "eventualmente subir de divisão". Esta terá sido uma mensagem "reencaminhada de João Pinheiro". Um ato que Francisco J. Marques também considerou "muito grave".