"Cinco minutos na boca de Pinto da Costa são 500 minutos na de qualquer outro"

"Cinco minutos na boca de Pinto da Costa são 500 minutos na de qualquer outro"
Carlos Pereira Santos

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Depois de oito anos a trabalhar em Angola, cinco dos quais na coordenação da formação do 1.º de Agosto, Joaquim Teixeira está de volta a Portugal. O JOGO apanhou-lhe algumas memórias

Joaquim Teixeira, protagonista de uma extensa entrrevista a O JOGO, garante que terá sempre o FC Porto no coração e refere um nome que nunca o deixa indiferente... "Tenho por Pinto da Costa uma admiração e um respeito enormes. Por ele próprio, merecia muito mais do que aquilo que tem tido nos últimos anos." E recorda: "Era sempre o primeiro a chegar, fosse para os treinos, fosse para os jogos. Nunca disse isto, mas em dois anos que estive no clube, o presidente deu duas palestras: não levou mais de cinco minutos... E cinco minutos na boca daquele homem são 500 minutos na de qualquer outro."

O treinador, de regresso a Portugal depois de vários anos em Angola, nunca perdeu a ligação ao futebol português: "Vi sempre os jogos do campeonato." Afinal, as coisas nem mudaram muito... "Sinceramente, pensei que hoje não estaríamos apenas com duas equipas a lutar pelo título. De resto, continua a haver uma grande décalage. O Braga e o V. Guimarães chegaram mais perto, mas não há consistência. Em Portugal, continua a haver três grandes."

E um deles, o FC Porto, continua a ser a grande referência do seu currículo. O nome de Joaquim Teixeira está ligado aos dragões: foi adjunto de António Oliveira e bicampeão nacional entre 1996 e 1998. Muita gente o liga ao clube. "Não me incomoda nada. O FC Porto é um mundo à parte. Tive a felicidade de trabalhar com o António Oliveira. Aprendi muito com ele, mesmo tendo eu para trás uma série de trabalhos bons como treinador principal. A intervenção dele nos treinos era fabulosa. Acabou prematuramente a ligação ao futebol, mas era excecional."

Teixeira diz algo que explica o que lhe vai na alma desde que entrou no FC Porto. "Quando perdíamos - não foi muitas vezes... -, eu costumava dizer que até as bancadas choravam. Vivi dois anos maravilhosos no FC Porto, não só pelas vitórias, mas pelas pessoas, pela cultura vencedora. O FC Porto tem um magnetismo em mim impressionante." Para que não fiquem dúvidas, diz: "Não estou a dizer isto para puxar o saco. Não preciso. Aliás, até sou criticado, de certa forma, por aparecer pouco por lá." Hoje, Joaquim Teixeira vê um clube diferente. "Os tempos são outros, na realidade, e temos de ter isso em conta antes de partirmos para críticas fáceis. Igual só na liderança do presidente e da sua equipa diretiva; são mais experientes, mais sabedores", sublinha, antes de um olhar técnico sobre a equipa: "O FC Porto ainda tem em aberto o campeonato e está na Champions, mas ainda não é aquele clube ganhador, de chegar a qualquer lado e impor-se, como foi durante anos. Oxalá volte a ter sucesso, e acredito muito nisso. O sucesso tem muito a ver com a estruturação de cada época. O FC Porto tem jogadores muito iguais. O meio-campo é muito monocórdico, não tem desequilibradores, mas na frente está muito mais forte desde que chegou o Soares. Foi uma excelente contratação, na hora certa - foi em cheio."

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