Riade apoia investigação de crimes no Iémen, mas questiona oportunidade

Riade apoia investigação de crimes no Iémen, mas questiona oportunidade
Lusa

O embaixador da Arábia Saudita junto da ONU em Genebra disse hoje que Riade não se opõe a uma investigação independente às violações dos direitos humanos e crimes no Iémen, embora questione a oportunidade do inquérito.

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, pediu na segunda-feira ao Conselho de Direitos Humanos que estabeleça uma comissão de investigação internacional e independente para documentar os crimes cometidos no Iémen.

"Não temos objeções ao inquérito em si, apenas questionamos o momento", declarou Abdulaziz Al-Wasil, cujo país lidera uma coligação internacional que combate os rebeldes xiitas iemenitas.

Os sauditas questionam se "este é o momento certo para estabelecer uma comissão internacional com as dificuldades no terreno", sabendo que os investigadores "enfrentarão grandes obstáculos em termos de acesso".

Al-Wasil adiantou que uma investigação deste género deveria envolver cidadãos iemenitas, que mais facilmente entendem "a dinâmica" do país e "têm ligações para irem a diferentes regiões".

A ONU considera que existe no Iémen a maior crise humanitária do mundo e a questão está a ser debatida na sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, que começou na segunda-feira e que dura três semanas.

O Iémen é palco há dois anos de uma guerra que opõe o governo, apoiado por uma coligação árabe conduzida pela Arábia Saudita, aos rebeldes 'huthis', aliados a unidades do exército que permaneceram fiéis ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh e acusados de ligações ao Irão.

O gabinete do Alto Comissariado dos Direitos Humanos registou 5.144 civis mortos e 8.749 feridos desde o início do conflito. Mais de metade (60%) das mortes deveu-se a bombardeamentos da coligação de países árabes liderada pela Arábia Saudita.

Segundo Zeid Ra'ad al-Hussein, ambas as partes em conflito cometeram detenções arbitrárias ou ilegais, desaparecimentos forçados, tortura e maus tratos.

PAL (MDR)