Candidato presidencial derrotado no Quénia anuncia nova estratégia na terça-feira

Candidato presidencial derrotado no Quénia anuncia nova estratégia na terça-feira
Lusa

O candidato derrotado nas eleições do Quénia, Raila Odinga, anunciou hoje que irá pronunciar-se na terça-feira sobre qual será o caminho a seguir após as presidenciais mas apelou aos seus apoiantes a não irem trabalhar na segunda-feira.

"Por agora, eu quero dizer-vos para não irem trabalhar amanhã (segunda-feira). Nós ainda não perdemos. Nós não vamos desistir. Esperem até que eu anuncie o caminho a seguir depois de amanhã (terça-feira)", disse Odinga, entre centenas de apoiantes, no coração do bairro de lata de Kibera, em Nairobi.

"Porque o Jubilee (o partido no poder) tem os seus polícias e soldados em todos os lugares, não saiam de suas casas amanhã (segunda-feira). Não vão trabalhar amanhã", acrescentou Odinga, que se exprimiu em kiswahili e foi aclamado pelos seus partidários.

Raila Odinga, candidato da coligação da oposição, não aceita os resultados das eleições presidenciais realizadas na passada terça-feira e vencidas pelo atual Presidente Uhuru Kenyatta, que cumprirá assim um segundo mandato de cinco anos.

A oposição contestou os resultados e denunciou a "farsa eleitoral".

Cenas violência e saques circunscritos em alguns redutos da oposição, no oeste do país e nos bairros pobres de Nairobi, eclodiram após a proclamação da vitória de Kenyatta nas eleições presidenciais de 08 de agosto.

A violência deixou 16 mortos entre sexta-feira e sábado à noite - nove nas favelas de Nairobi, incluindo uma rapariga de nove anos, e sete no oeste do país -, de acordo com fontes da polícia e hospitalares.

Já a organização Comissão Nacional para os Direitos Humanos do Quénia (KNCHR, na sigla em inglês) disse que 24 pessoas, das quais duas menores, morreram devido a disparos efetuados pela polícia durante protestos em diferentes zonas do país.

"Já esperávamos que fossem roubar (a eleição) e começar a matar pessoas inocentes. Foi isso que eles fizeram", disse Odinga, depois de pedir para ser respeitado um minuto de silêncio em memória dos mortos nos incidentes.

"Este é um regime falhado que recorre ao assassínio em vez de resolver os problemas reais", acusou.

"Estas são coisas que acontecem em Estados falhados como o Haiti ou o Iraque", sublinhou.

A Comissão Eleitoral do Quénia confirmou na sexta-feira que o Presidente Uhuru Kenyatta é o vencedor das eleições de terça-feira, com 54,27% dos votos, enquanto Raila Odinga alcançou 44,74%.

O Governo do Quénia advertiu hoje que não tolerará protestos violentos e assegurou que aqueles que incitam a divisão "sofrerão as consequências".

"Os protestos pacíficos são um direito constitucional e para os quais são oferecidos proteção policial, mas o que temos visto nestes dias são manifestações violentas", disse o porta-voz presidencial, Manoá Esipisu, numa declaração oficial.

"Não se deixem utilizar como peões num jogo", acrescentou, em referência às manifestações que já causaram mortes desde sexta-feira passada.

Na violência pós-eleitoral de 2007 no Quénia morreram pelo menos 1.100 pessoas e mais de 600 mil foram obrigadas a abandonar as suas casas.