Afonso Vilela: "Fazem canyoning uma vez e querem logo repetir"

Afonso Vilela: "Fazem canyoning uma vez e querem logo repetir"

Em tempo de férias, Afonso Vilela quer dar a conhecer os cantinhos perdidos que fazem de Portugal um paraíso. E de que modo? Através de um desporto que o ator e modelo começou a praticar antes mesmo de lhe ser dado um nome: o canyoning

O ator e modelo Afonso Vilela, que recentemente entrou nas casas dos portugueses ao participar e ganhar o concurso Masterchef, da TVI, vai lançar amanhã um blogue - Vil.pt - para promover o desporto aventura em Portugal, mais concretamente o canyoning, modalidade que pratica há mais de 20 anos e da qual já é monitor, com credenciação ao nível do trabalho em alturas.

Muitas pessoas não saberão o que é o canyoning em concreto. Pode explicar?

É simples. É exploração progressiva dos rios, tanto no sentido ascendente como descendente, com todos os seus obstáculos. Isto engloba rapel, descidas em cascatas, saltos para a água, passagens subaquáticas, caminhadas em terra e na água, depende um bocado do rio. É o desporto em que se tem mais contacto com a natureza no seu estado puro.

Como apareceu o canyoning na sua vida?

Sempre gostei muito de fazer desporto, nomeadamente desportos de água e de combate - sou também monitor de jiu-jitsu brasileiro. Cresci num ginásio, porque era o negócio da minha família e o desporto tornou-se um hábito diário. A parte dos rios surgiu quando, por causa do meu trabalho, comecei a conhecer Portugal um bocadinho mais a fundo. Há lugares fantásticos, que pouca gente conhece. Quando mostro fotografias, perguntam-me tantas vezes se é em Portugal! Vivemos neste pequeno paraíso e não o valorizamos como devíamos. Temos tudo aqui: gastronomia, percursos maravilhosos. Ah! No canyoning convém sabermos sempre onde é o melhor tasco para irmos comer depois.

A ideia do blogue que vai lançar é divulgar esses lugares ou mais a modalidade?

É partilhar a minha experiência pessoal. Apesar de o meu trabalho como ator e modelo, nos últimos 30 anos, me ter possibilitado conhecer todos os cantos do mundo, o lugar de que mais gosto é Portugal. Sempre que vou trabalhar para fora de Lisboa, vou com tempo para conhecer os lugares. Um dia percebi que o que eu fazia já há muitos anos afinal tinha um nome: canyoning.

Portugal é um país de eleição para a prática do canyoning?

Sim. Principalmente o Norte do país - Gerês, Alvão, Arouca, São Pedro do Sul -, mas também o Centro. Lousã, por exemplo, é ótimo. Depois temos a ilha das Flores, nos Açores, que é considerado um dos três melhores lugares do mundo para a prática do canyoning, juntamente com a Nova Zelândia e as ilhas Reunião. Existem meetings mundiais da modalidade e todos os anos há um encontro anual nas Flores, em que vem gente de todo o mundo.

Suponho que seja preciso uma pessoa estar bem preparada fisicamente para se aventurar na descida ou subida de um rio...

Estaria a mentir se dissesse que não, mas a verdade é que levo muitas pessoas que nunca fizeram nada parecido na vida. A emoção e a adrenalina dá-nos uma força muito grande para fazer estas coisas.

Quando muito, ficam uns dias com dores musculares por causa do esforço físico a que não estão habituadas.

Costumo dizer que são dores que sabem bem [risos]. É, acima de tudo, um esforço mental. Quando levo iniciantes comigo, o ritmo é mais baixo e escolho percursos mais fáceis. Depois há uma evolução natural. Ainda não me apareceu ninguém a dizer que odiou aquilo ou que não quer fazer mais. O que acontece sempre é que fazem e querem logo marcar o próximo passeio. No fim de junho levei um grupo a fazer caminhada aquática. Eram quase todos sedentários, todos conseguiram e, no final, queriam mais.

Pelo que percebo, além de praticante já é monitor.

Tenho tentado profissionalizar-me porque uma coisa é ir sozinho, outra é ser responsável por outros. E começaram a pedir-me para levar pessoas a fazer canyoning. Os desportos ao ar livre estão a crescer e, em termos de promoção turística, é o melhor que há. Além de se fazer todo o ano, espalha-se por todo o país, nomeadamente nas zonas rurais, menos turísticas. E os turistas que vêm à procura desta modalidade têm ainda uma vantagem: preocupam-se com o ambiente e são eles muitos vezes que limpam as zonas que vão explorar.

SAIBA QUE

Afonso Vilela tem atualmente 47 anos e continua a trabalhar como ator e modelo, algo que há 20 anos não imaginava ser possível. "Achava que, a partir dos 30 anos, o trabalho iria começar a diminuir e foi exatamente o contrário. Por incrível que pareça, o trabalho de manequim continua a ser o grosso da minha faturação", comenta. "A população nos países ocidentalizados está muito envelhecida e o estereótipo de homem acompanhou essa tendência", acrescentou em jeito de explicação. Quando não está a trabalhar, Afonso dedica-se ao desporto, para além do canyoning também o surf, a corrida e o ginásio, para além de cozinhar, outro dos seus hobbies.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.