Na meia-final da Taça de Macau

Casa do FC Porto em Macau denuncia atitudes racistas

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Provocações aconteceram no jogo dos dragões macaenses com o Lam Park visando os jogadores de matriz africana da equipa.
A Casa do FC Porto em Macau enviou hoje uma missiva à Associação de Futebol de Macau a solicitar uma intervenção "no sentido de conter e eliminar as atitudes racistas no futebol de Macau". A reivindicação surge depois de no decorrer do jogo da meia-final da Taça de Macau, entre o FC Porto e o Lam Pak, de 14 de junho, um dos jogadores do Lam Pak ter utilizado "expressões de caráter racista para com grande parte dos jogadores do FC Porto e também para com o treinador", relata o presidente, António Aguiar.

"Estas expressões, de que se dá como exemplo a palavra 'preto' ('nigger'), foram sistematicamente utilizadas sempre que havia uma situação de bola dividida entre esse jogador e os nossos de matriz africana", refere a missiva.

Na carta, lê-se ainda que "apesar dos repetidos avisos e chamadas de atenção ao árbitro da partida, o mesmo adotou uma atitude passiva, não tendo qualquer capacidade de prever as graves consequências das repetidas provocações racistas".

"Como consequência das atitudes racistas continuadas do referido jogador número 27 do Lam Pak e, como já toda a gente previa (menos o árbitro), alguns dos nossos jogadores de matriz africana exasperaram, reagindo com veemência às provocações", escreve o presidente do clube, ao recordar que até "o treinador chegou a entrar em campo para responder, em conformidade, ao referido jogador racista".

Contudo, como ressalva António Aguiar, dirigindo-se ao presidente da Associação de Futebol de Macau, a missiva em causa não tem como objetivo "questionar a eliminação" ou a "tremenda injustiça de que a equipa do FC Porto foi alvo", dado que isso "ficará para uma próxima oportunidade", visando antes solicitar "medidas adequadas".

Macau "não pode, nem deve, permitir que o racismo entre no futebol sob pena de o mesmo, que já sofre de graves problemas estruturais, regredir ou mesmo acabar. Macau não pode permitir a existência, no seu seio, de jogadores de futebol racistas", salienta António Aguiar, ao alertar que tal pode voltar a acontecer, "de uma forma mais grave".


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